Por Vinicius Furlan / Crítica de cinema

Dragon Ball Super: Beerus revisita uma história conhecida, trazendo mudanças na narrativa, na direção de arte e na construção dos personagens. Mas será que essas alterações são suficientes para justificar uma nova versão?
INTRODUÇÃO
Dragon Ball Super: Beerus é uma nova versão da história de Dragon Ball Super, funcionando como uma espécie de reboot ou remake da série original.
Uma narrativa mais dinâmica
Dito isso, a narrativa apresenta algumas mudanças interessantes. A produção acrescenta elementos que não estavam presentes na versão anterior e elimina momentos menos relevantes, tornando a experiência mais dinâmica e objetiva.
E é justamente nesse dinamismo que a obra encontra um de seus pontos fortes. A narrativa vai direto ao ponto, sem prolongar desnecessariamente os confrontos. Isso mantém o espectador atento e interessado no que está acontecendo, criando um ritmo que favorece o envolvimento com a história.
MOSTRE, NÃO FALE
Outro aspecto interessante é a utilização do conceito de show, don’t tell (mostre, não conte). Em vez de explicar tudo por meio dos diálogos, a animação permite que determinadas situações sejam compreendidas por meio das imagens e das ações dos personagens. Essa abordagem dá mais espaço para que o público interprete os acontecimentos por conta própria, tornando a narrativa menos expositiva.
Uma identidade visual mais séria
Visualmente, a produção também apresenta mudanças significativas. O tom está mais sério, acompanhado por uma paleta de cores mais sombria e menos saturada. Essa escolha funciona porque está alinhada à proposta da obra, contribuindo para uma atmosfera que transmite melhor a seriedade pretendida pelos realizadores.
Entretanto, a trilha sonora representa um dos pontos mais questionáveis. Grande parte do material musical permanece semelhante ao utilizado na versão original. Isso acaba limitando a identidade sonora da nova produção, especialmente considerando sua proposta de renovar a experiência. Uma abordagem musical diferente poderia reforçar ainda mais a mudança de tom e personalidade da animação.
A direção também merece destaque. Os personagens parecem menos caricatos e apresentam motivações mais bem desenvolvidas. Suas atitudes e reações são construídas de maneira mais convincente, fazendo com que pareçam mais coerentes dentro daquele universo. Consequentemente, a narrativa ganha credibilidade e se torna mais envolvente.
Por outro lado, existe um problema considerável: a história continua sendo essencialmente a mesma. Para quem já assistiu Dragon Ball Super ou ao filme Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses, boa parte dos acontecimentos será familiar. Embora existam alterações e novos elementos, a produção ainda depende muito de uma narrativa que o público já conhece.
Isso é decepcionante porque havia espaço para explorar novas possibilidades a partir do material original. Em vez de apresentar uma história realmente diferente, a animação opta por reconstruir acontecimentos conhecidos, limitando seu potencial de surpresa.
Afinal, vale a pena assistir?
No fim das contas, Dragon Ball Super: Beerus vai melhorando com o tempo. Inicialmente, a proposta de renovação parece limitada, especialmente pela permanência de elementos da versão anterior, como a trilha sonora e a estrutura narrativa. Entretanto, conforme as mudanças na direção, no ritmo e na apresentação da história se tornam mais evidentes, a experiência ganha personalidade própria.
A recomendação, portanto, depende das expectativas do espectador. Quem procura uma história completamente inédita talvez se decepcione. Porém, para quem deseja revisitar acontecimentos conhecidos sob uma nova perspectiva, com mudanças visuais, narrativas e de direção, Dragon Ball Super: Beerus pode ser uma experiência bastante interessante.
Nota: 8/10.
