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Crítica: Behemoth! (2026)

A música como a alma do seu ser Entre os filmes exibidos durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, tivemos Behemoth!, novo longa de Tony Gilroy, estrelado por Pedro Pascal. Com uma proposta que utiliza a música...

Sumário

A música como a alma do seu ser

Entre os filmes exibidos durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, tivemos Behemoth!, novo longa de Tony Gilroy, estrelado por Pedro Pascal. Com uma proposta que utiliza a música como ferramenta para explorar os traumas, as memórias e a identidade de seu protagonista, o filme apresenta uma ideia bastante interessante, mas que infelizmente acaba não alcançando todo o seu potencial.

Sinopse

A trama acompanha Alex Serian, um talentoso violoncelista e ex-prodígio musical que retorna a Los Angeles após passar duas décadas viajando pelo mundo. Ao se reunir com sua família de músicos e trabalhar na gravação de trilhas sonoras para Hollywood, flashbacks e pistas musicais revelam os traumas que o fizeram deixar a cidade no passado, iniciando uma profunda jornada de autoconhecimento.

A música como ferramenta para contar uma história

Uma das ideias mais interessantes de Tony Gilroy em Behemoth! está na maneira como ele utiliza a música para conduzir a narrativa. Em vez de trabalhar apenas com uma história linear, o diretor aposta em uma construção que mistura diferentes momentos da vida de Alex, utilizando passagens temporais e elementos musicais para revelar gradualmente aquilo que aconteceu no passado do personagem.

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A proposta é bastante curiosa, principalmente pela maneira como a arte se torna parte fundamental da experiência. A música não está ali apenas para acompanhar as imagens ou preencher os momentos de silêncio. Ela funciona como uma linguagem própria, capaz de expressar sentimentos que os personagens nem sempre conseguem colocar em palavras.

Existe também uma discussão interessante sobre o papel da arte na vida de uma pessoa. Como ela pode representar uma forma de crítica, uma maneira de compreender o mundo e, principalmente, um caminho para descobrir quem realmente somos?

É justamente nesse aspecto que Behemoth! encontra sua identidade. O filme tenta mostrar como a música pode carregar memórias, sentimentos e experiências que continuam presentes mesmo depois de tantos anos.

Uma das melhores trilhas sonoras do ano

Sem dúvidas, um dos maiores destaques de Behemoth! é sua trilha sonora. A maneira como o longa trabalha a composição musical e utiliza as notas para acompanhar as emoções de Alex é simplesmente encantadora.

Como alguém que estuda e gosta desse universo, é muito interessante observar como a música vai se transformando ao longo da narrativa. Não se trata apenas de apresentar uma composição bonita, mas de utilizar os próprios elementos musicais para transmitir as mudanças emocionais do protagonista.

As notas parecem acompanhar aquilo que Alex está sentindo, criando uma conexão entre a construção musical e os acontecimentos de sua vida. É uma escolha que demonstra bastante cuidado e que poderia render uma experiência cinematográfica extraordinária.

A relação entre o personagem e a música é, talvez, o elemento mais bem desenvolvido de toda a produção. Existe uma sensibilidade muito particular na maneira como o filme entende a composição artística e sua capacidade de traduzir emoções.

É uma das melhores trilhas sonoras do ano e, certamente, um dos motivos pelos quais Behemoth! merece ser conhecido.

Pedro Pascal e a atuação que não chega ao seu grande momento

Pedro Pascal assume o protagonismo como Alex Serian e entrega uma atuação que, infelizmente, acaba ficando aquém do que poderia ser.

Existe algo que parece faltar em sua interpretação. Durante boa parte do filme, temos a sensação de que o ator está sempre muito próximo de alcançar um grande momento, mas nunca consegue chegar completamente lá.

Isso fica ainda mais evidente quando Alexa Swinton entra na narrativa. A interação entre os personagens parecia ter potencial para ser o grande momento de Pascal, aquela cena capaz de demonstrar toda a força emocional da história e até mesmo colocá-lo na conversa sobre possíveis premiações. Entretanto, a sequência não consegue atingir a intensidade que promete.

Não é necessariamente uma atuação ruim, mas uma interpretação que parece limitada pelo próprio material. O personagem possui uma história cheia de traumas e conflitos, mas o filme nem sempre consegue oferecer a Pedro Pascal as ferramentas necessárias para explorar toda essa complexidade.

É uma pena, principalmente porque a proposta inicial apresenta tantas possibilidades para construir um protagonista memorável.

Relações familiares que precisavam de mais desenvolvimento

Outro problema está na relação entre Alex e seu irmão, interpretado por Will Arnett.

A dinâmica entre os dois poderia ser um dos pontos mais interessantes da narrativa, especialmente considerando o passado familiar e os anos de afastamento. Entretanto, o filme dedica pouco tempo para desenvolver essa relação.

As cenas entre Pascal e Arnett deixam a sensação de que existe uma história muito maior por trás daqueles personagens, mas que nunca chegamos a conhecer de verdade. Falta aprofundamento, faltam momentos de convivência e, principalmente, falta entender melhor o que aconteceu entre eles.

O resultado é uma relação que deveria ter um peso emocional importante, mas acaba ficando em segundo plano.

Algo parecido acontece com Olivia Wilde. A atriz parece trabalhar com uma única expressão durante boa parte da produção, e sua personagem não consegue encontrar um espaço realmente significativo dentro da história.

As cenas dela com Will Arnett são divertidas e apresentam uma dinâmica interessante, mas isso não é suficiente para justificar sua participação na narrativa. Em diversos momentos, parece que a personagem está ali apenas para acompanhar os acontecimentos, sem acrescentar algo realmente importante ao desenvolvimento de Alex.

E esse problema não se limita a esses nomes. Boa parte dos personagens parece funcionar apenas como uma passagem pela vida do protagonista, sem receber o desenvolvimento necessário para que suas relações tenham um impacto verdadeiro.

Um filme que se perde na própria proposta

Talvez o maior problema de Behemoth! seja justamente sua dificuldade em organizar as próprias ideias.

A proposta de trabalhar diferentes períodos da vida de Alex por meio da música é interessante, mas a execução nem sempre consegue deixar claro o que está acontecendo. Para um público que não esteja tão acostumado com narrativas fragmentadas, algumas mudanças temporais podem parecer abruptas, como se o filme simplesmente pulasse de um momento para outro sem oferecer tempo suficiente para compreender a transição.

Outro aspecto que poderia ajudar bastante seria a caracterização de Pedro Pascal. Fisicamente, o personagem não apresenta mudanças tão perceptíveis entre os diferentes períodos de sua vida, o que dificulta a identificação das passagens temporais.

Uma transformação visual mais evidente poderia funcionar como um recurso narrativo importante, ajudando o espectador a compreender em que momento da história está e quais experiências estão sendo revisitadas.

O problema é que o longa parece confiar tanto em sua própria proposta que acaba esquecendo de construir algumas ferramentas necessárias para que o público consiga acompanhar a experiência.

Existe uma diferença entre criar uma narrativa que exige atenção e desenvolver uma história que não oferece elementos suficientes para que o espectador compreenda suas escolhas. Infelizmente, Behemoth! acaba se aproximando mais da segunda situação em determinados momentos.

Vale a pena assistir a Behemoth!?

Behemoth! é uma experiência interessante, mas que acaba ficando muito aquém das expectativas. Tony Gilroy apresenta uma ideia com enorme potencial ao utilizar a música como linguagem para explorar a identidade, os traumas e as relações familiares de seu protagonista.

A trilha sonora é extraordinária e talvez seja o maior mérito da produção. A maneira como as composições acompanham as emoções de Alex demonstra o quanto o filme poderia ter sido especial.

Entretanto, o desenvolvimento dos personagens é bastante fraco, as relações familiares não recebem a atenção necessária e a narrativa acaba se perdendo em suas próprias convicções. Pedro Pascal também não consegue alcançar o grande momento que o roteiro parece preparar para ele.

No fim, Behemoth! é um filme que tinha tudo para entregar uma experiência muito mais marcante, mas acaba desperdiçando boa parte de seu potencial. Uma produção que encanta quando fala sobre música, mas que tropeça justamente na construção da história que deseja contar.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

Apaixonada por cultura pop, teatro e musicais. Fã de Wicked, da Supergirl e de histórias inspiradoras, encontrei nos palcos e nas telas minha maior fonte de entretenimento. Corinthiana de coração, valorizo a emoção das grandes apresentações, seja em um espetáculo musical ou em uma partida de futebol.

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