A cineasta Ana Luiza Azevedo é experiente, tem uma carreira longa, já quase 35 anos de atuação no cinema, tendo dirigido filmes como Antes que o Mundo Acabe (2009) e Aos Olhos de Ernesto (2019), além disso foi uma das criadoras da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre.
Essa breve biografia serve como parâmetro para a decepção frente ao seu último trabalho. Medley (2026), roteiro adaptado do livro Medley ou Os Dias em Que Aprendi a Voar, de Keka Reis (também roteirista), é uma obra tão cheia de falhas, que parece, às vezes, um filme amador e dirigido por uma neófita.

As inconsistências começam pelo elenco juvenil, que não sustenta as cenas. Mel Maia (Lola), Guthierry Sotero (Gabriel), Alana Cabral (Linda) e demais coadjuvantes do núcleo de adolescentes parecem todos desconfortáveis e pouco à vontade à frente das câmeras. Não conseguem atingir a naturalidade que a interpretação no cinema clássico exige.
Mas o núcleo de atores adultos também não ajuda, em especial Mariana Lima (Catarina, mãe de Lola) e Leona Cavalli (Marina, a prefeita da fictícia cidade de Salto Bonito, onde se passa boa parte da trama), que parecem atuar descompromissadamente e não dão nenhuma camada dramática às suas personagens. Mariana Lima até que tenta, mas parece caricata. O único que atua num nível ok é André Ramiro, na pele do técnico de natação da equipe de Salto Bonito, Érico.

Drama que busca retratar a distância entre mãe e filha, o amor de Lola pela natação e seu processo de amadurecimento na temporada que passa no interior, o filme erra ao querer dar conta de tanta densidade dramática de forma tão superficial. As coisas acontecem de maneira rápida e atabalhoada, as amarras narrativas não se sustentam e se dão muitas vezes de forma inverossímil, tais como apenas em um período de férias a protagonista viver todo um processo de crescimento pessoal, apaixonar-se, entrar na equipe de natação da cidade, treinar, ganhar o título, reaproximar-se da mãe… É muita coisa acontecendo apenas durante as férias escolares!
Além disso, próximo ao fim do filme, quando Catarina recebe um telefonema dando conta de que Lola sumiu e não avisou ninguém, de repente, na sequência seguinte, já encontramos Catarina em uma praia qualquer do Rio de Janeiro, gritando para o mar, chamando a filha, que, naquela parte da costa fluminense, nada em céu aberto. Ora bolas! Como a mãe adivinhou que a filha, que estava desaparecida, encontrava-se naquele pedaço do mar?

Com uma estética que oscila entre o estilo da antiga série global Malhação (exibida por 25 anos), além de algumas de suas telenovelas, o filme também sofre da falta de ritmo, arrastando-se em um tédio continuum.
Mas nem só de aspectos negativos é feito Medley. A escolha de locações na cidade do Rio de Janeiro favorece uma fotografia de belas paisagens, que consegue emular perfeitamente a atmosfera do interior e da região serrana fluminense. As sequências de natação, e submersas na água, são muito delicadas, sensíveis e poéticas, seja com Mel Maia ou com a menina Alice de Oliveira, que interpreta Lola em flashback.
Nota 5/10
