A Rede Globo mantinha, em TV aberta, um padrão de humor, em voga até meados de 2020, quando foi extinto o programa Zorra, antes Zorra Total (1999–2015), herdado dos históricos Planeta dos Homens (1976–1982), Viva o Gordo! (1981–1987), Chico Anysio Show (1982–1990), Os Trapalhões (1977–1995), A Praça é Nossa (ainda em exibição no SBT desde 1987) e Sai de Baixo (1996–2002); cujas características gerais eram a piada fácil e rápida, confusões familiares, estereótipos do cotidiano, e com elenco recheado de astros globais, ou humoristas de longa estrada na televisão, cinema e teatro. Um dos últimos programas dessa safra foi o Vai que Cola, exibido até agosto de 2026 no canal Multishow.
Este tipo de humor ainda repercute no cinema, principalmente nos filmes produzidos pela Globo Filmes, e são, quase que invariavelmente, sucessos de público. Normalmente com roteiros rasos, mas com grande apelo popular, são comédias que apostam em fórmulas prontas, rasteiras, apenas puro entretenimento. São exemplos deste tipo de cinema os três Minha Mãe é Uma Peça (2013–2019), com o saudoso Paulo Gustavo, Os Parças 1 e 2 (2017–2019), Tô Ryca 1 e 2 (2016–2022), Vai que Cola – O Filme (2015), e Os Suburbanos – O Filme (2022).
Os Farofeiros 3 (2026), mantendo Roberto Santucci na direção e Paulo Cursino no roteiro, é o mais novo desse tipo de filme velho, ou seja, que repete não só a mesma base dos anteriores desta franquia, mas de todos os já citados anteriormente.

Em Os Farofeiros (2018), a trupe de casais e seus filhos decide alugar uma casa de praia para passarem o Réveillon, no interior do Rio de Janeiro (na fictícia Praia de Maranduba). O grupo é composto por Lima (Maurício Manfrini) e Jussara (Cacau Protásio), Alexandre – Alê (Antônio Fragoso) e Renata (Danielle Winits), Rocha (Charles Paraventi) e Vanete (Elisa Pinheiro), e Diguinho (Nilton Bicudo) e Ellen (Aline Campos). No entanto, a casa é um caos e está caindo aos pedaços. O que era a promessa de lazer entre amigos e famílias acaba se tornando um tremendo perrengue, ainda mais marcado pelas diferenças de estilo de vida de cada um.
Esta mesma premissa e norte do roteiro embasou Os Farofeiros 2 (2024), mudando apenas o cenário do caos, agora um resort de luxo na Bahia. Todos viajam para lá, a fim de celebrarem o prêmio de gerente do ano ganho por Alexandre. Ocorre que no caminho o ônibus em que viajam, que é clandestino, quebra, e, ao chegarem no destino, descobrem que o hotel está em reforma, e vem um bocado de confusão.
Neste terceiro, mantém-se a mesma espinha dorsal do roteiro, e o cenário muda para uma ilha no Caribe, o fictício país San Martinez, onde vão celebrar, às custas de Rocha, que os convida, o casamento de sua filha. Já no avião, por sugestão de Alexandre — diante da crise financeira pela qual a empresa em que trabalham passa, orienta Rocha a economizar nas despesas —, começam as confusões. Vão na classe econômica, apertados. Ao chegarem na ilha, descobrem também que, por conta da tentativa de economizar de Rocha, o local onde ficam hospedados é rústico, desconfortável. O palco para as desavenças e bagunça está montado.

Se no primeiro filme, apesar da repetição de fórmulas, o humor funcionava em razão da química entre o elenco e da ideia de juntar um bocado de gente tão diferente nos modos e na classe social, esse frescor se perdeu um pouco no segundo e caiu; aqui se desfez, esfumaçou-se de vez.
Contribui para o fracasso de Os Farofeiros 3 a infeliz ideia da narrativa ser conduzida em flashback, a partir da encenação de uma peça na escola onde estudam os filhos dos protagonistas, em que buscam elogiar os pais encenando no palco a última viagem que fizeram juntos, justamente para a ilha caribenha. Essa estratégia quebra qualquer tentativa de ritmo da história, e quando alguma coisa que parece ser engraçada dá sinais que irá aparecer na tela, corta para o agora, a peça infantil. Muito ruim.
A antiga química que havia entre o elenco também sumiu. Nenhum casal, ninguém funciona em cena. Como um casamento desgastado pelo tempo, o que havia ali de engraçado, de instigante, simplesmente se foi.
O destaque negativo é para Danielle Winits. Simplesmente péssima, exagerada, errando o timing da piada.
Maurício Manfrini e Cacau Protásio ainda conseguem trazer uma lufada de ar cômico. Mas é muito pouco. Também parecem sofrer da “síndrome do casamento”.

A locação do filme, rodado em grande parte na República Dominicana, é um trunfo da produção. O diretor de fotografia Marcelo Brasil conseguiu captar toda a beleza da ilha caribenha, com suas belas praias e o mar de um azul esplendoroso.
Ah! Ainda temos uma desnecessária, irrelevante, patética e medíocre participação especial de Léo Jaime.
Apesar de tanto sol, tantas praias e águas celestes em cena, esse cartão postal não consegue salvar Os Farofeiros 3, que naufraga em uma hora e meia de tédio e quase nenhum riso.
Nota 4/10
