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Crítica: I Love Boosters (2026)

Uma das comédias mais divertidas do ano Entre os filmes exibidos durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, tivemos I Love Boosters, uma das comédias mais divertidas do ano. Com direção de Boots Riley, o longa apresenta...

Sumário

Uma das comédias mais divertidas do ano

Entre os filmes exibidos durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, tivemos I Love Boosters, uma das comédias mais divertidas do ano. Com direção de Boots Riley, o longa apresenta um universo tão particular, colorido e absurdo que basta menos de dez minutos para você estar completamente imerso nessa realidade.

É aquele tipo de filme que não tem medo de exagerar, brincar com as próprias ideias e levar as situações cada vez mais longe. E o melhor? Você simplesmente aceita o convite e se diverte com tudo o que acontece na tela.

Sinopse

Uma equipe especializada em furtar lojas escolhe como alvo uma implacável magnata da moda. É quase um serviço comunitário.

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Boots Riley cria um universo completamente absurdo

Uma das grandes qualidades de I Love Boosters é a maneira como Boots Riley constrói seu universo. O diretor apresenta uma realidade com regras próprias, na qual tudo parece funcionar de uma maneira um pouco diferente do que esperamos. O resultado é um filme que consegue conquistar o espectador rapidamente e não demora para mostrar que está disposto a ultrapassar qualquer limite do absurdo.

Existe uma energia muito particular na forma como a história se desenvolve. As situações vão ficando cada vez mais exageradas, as ideias parecem se multiplicar a cada nova sequência e, quando você pensa que o filme já chegou ao seu limite, ele encontra uma maneira de ir ainda mais longe.

É justamente essa liberdade que torna a experiência tão divertida. I Love Boosters não parece preocupado em se encaixar em uma fórmula tradicional de comédia. Pelo contrário, Boots Riley abraça o absurdo e transforma essa característica na principal identidade de sua obra.

O longa também tem uma personalidade visual muito forte. É um universo vibrante, quase cartunesco, no qual cada elemento parece ter sido pensado para chamar a atenção. Mesmo quando a imagem assume uma estética mais monocromática, existe uma identidade visual marcante que faz esse mundo parecer vivo.

As cores são tão intensas que parecem saltar da tela, enquanto os cenários, os figurinos e a maneira como os personagens ocupam esse espaço contribuem para criar uma experiência visualmente encantadora.

É como entrar em um desenho animado que decidiu abandonar qualquer compromisso com a realidade. E essa é uma das melhores coisas que o filme poderia fazer.

Um elenco que abraça o exagero

Outro grande destaque de I Love Boosters é seu elenco, que parece compreender perfeitamente a proposta de Boots Riley. Keke Palmer, Naomie Ackie, Taylour Paige, Poppy Liu e Eiza González estão entre os nomes que ajudam a dar vida a esse universo tão particular.

O mais interessante é perceber como as atrizes conseguem entrar nessa realidade sem parecer deslocadas. Todas parecem compreender que o filme exige uma atuação que acompanhe seu tom exagerado, permitindo que os personagens façam parte desse mundo sem que a comédia perca sua força.

Keke Palmer merece atenção especial, principalmente por sua dinâmica com Lakeith Stanfield. Os dois protagonizam um dos arcos mais engraçados da produção, aproveitando muito bem as situações absurdas que surgem ao longo da história.

Existe uma química divertida entre eles, e acompanhar como essa relação se desenvolve é uma das melhores partes do longa. É aquele tipo de interação que funciona justamente porque os atores parecem estar completamente à vontade dentro da proposta da obra.

O elenco não tenta tornar o absurdo mais discreto ou transformar tudo em uma comédia convencional. Pelo contrário, os intérpretes parecem entender que a graça está em abraçar as situações e levar seus personagens até as últimas consequências.

Demi Moore e Will Poulter roubam a cena

Se o restante do elenco já contribui bastante para a experiência, Demi Moore e Will Poulter também merecem destaque.

Demi Moore talvez esteja em um de seus papéis mais divertidos, entregando uma atuação que combina perfeitamente com a extravagância do filme. Sua presença ajuda a dar ainda mais força ao universo criado por Boots Riley, principalmente porque a atriz parece compreender o prazer de interpretar uma personagem dentro de uma realidade tão exagerada.

Will Poulter acompanha essa energia e também se destaca. Os dois parecem estar se divertindo com o projeto, e essa sensação acaba passando para o espectador.

Tudo em suas participações parece funcionar em uma escala maior do que o habitual. As reações, as situações e a própria construção dos personagens acompanham a lógica de um filme que não pretende ser discreto em nenhum momento.

Mas existe uma diferença importante entre exagerar simplesmente por exagerar e encontrar um exagero que funciona dentro da proposta de uma obra. I Love Boosters consegue fazer isso muito bem: a extravagância não parece um acidente, mas parte fundamental da experiência.

É justamente por isso que o filme consegue manter o espectador interessado mesmo quando as situações começam a ficar cada vez mais absurdas. Você não está esperando que tudo volte ao normal. Está esperando para descobrir até onde aquela loucura pode chegar.

Figurinos e uma identidade visual espetacular

Não dá para falar de I Love Boosters sem destacar seu figurino. Em um filme que tem o universo da moda como parte importante de sua proposta, as roupas não poderiam ser apenas um detalhe da produção.

Os figurinos ajudam a estabelecer a personalidade dos personagens e a reforçar a identidade visual desse mundo. Existe uma exuberância que combina perfeitamente com a proposta do longa, criando imagens que chamam a atenção e ajudam a tornar a experiência ainda mais marcante.

Tudo parece acompanhar a lógica cartunesca da narrativa. O visual é exagerado, os personagens possuem uma presença muito forte e o universo parece existir em uma realidade na qual a moda também faz parte do espetáculo.

Esse cuidado ajuda a diferenciar o filme de outras comédias e reforça a sensação de que Boots Riley construiu um mundo próprio, com uma identidade que não depende apenas dos acontecimentos do roteiro.

É uma produção que entende como o visual pode contribuir para o humor e para a construção de uma experiência cinematográfica. E, nesse aspecto, I Love Boosters tem personalidade de sobra.

Uma comédia que não tem medo de ir longe demais

O roteiro de I Love Boosters não se leva tão a sério — e nem parece querer isso. A produção aposta em uma escalada constante de situações absurdas, brincando com as expectativas do público e encontrando novas maneiras de surpreender.

Essa liberdade é um dos principais motivos pelos quais o filme funciona tão bem como comédia. Em vez de tentar manter os acontecimentos dentro de limites previsíveis, a narrativa parece se divertir ao ultrapassar as próprias expectativas.

É claro que esse tipo de proposta depende muito da disposição do espectador para embarcar na experiência. Quem espera uma comédia mais convencional pode estranhar o ritmo e a maneira como as situações se desenvolvem. Mas, para quem aceita a lógica do filme, a recompensa está justamente em acompanhar essa escalada.

Ao longo de aproximadamente uma hora e cinquenta minutos, o longa mantém uma energia que faz com que seja fácil entrar em seu universo e aproveitar a jornada. A sensação é de que cada nova sequência pode apresentar algo ainda mais absurdo do que a anterior.

E é aí que Boots Riley acerta: o filme não tenta convencer você de que tudo aquilo é plausível. Ele simplesmente apresenta suas ideias, aumenta a dose de loucura e convida o público a se divertir com o resultado.

Conclusão: talvez a melhor comédia do ano

I Love Boosters é uma das grandes surpresas da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e, para mim, talvez seja a melhor comédia do ano.

Com um universo visual vibrante, figurinos espetaculares, um elenco carismático e um roteiro que abraça completamente o absurdo, Boots Riley entrega uma experiência que diverte do começo ao fim.

Keke Palmer e Lakeith Stanfield protagonizam um dos arcos mais engraçados, enquanto Demi Moore e Will Poulter demonstram como o exagero pode funcionar quando existe uma compreensão clara da proposta do filme. Todo o elenco contribui para que esse mundo pareça ainda mais vivo, transformando as situações mais absurdas em momentos de pura diversão.

Nem tudo precisa fazer sentido o tempo inteiro. Às vezes, tudo o que queremos é uma comédia que tenha personalidade, que não tenha medo de arriscar e que nos faça rir enquanto acompanhamos suas ideias cada vez mais extravagantes.

E I Love Boosters entrega exatamente isso.

É divertido, engraçado, visualmente marcante e absurdamente criativo. Um filme que vai aumentando a dose de loucura até você simplesmente aceitar o convite e se divertir durante suas quase duas horas de duração.

Se você procura uma comédia diferente, que não tenha medo de exagerar e que consiga criar seu próprio universo, I Love Boosters merece entrar na sua lista. Para mim, é uma das experiências mais divertidas do ano e uma forte candidata ao título de melhor comédia de 2026.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

Apaixonada por cultura pop, teatro e musicais. Fã de Wicked, da Supergirl e de histórias inspiradoras, encontrei nos palcos e nas telas minha maior fonte de entretenimento. Corinthiana de coração, valorizo a emoção das grandes apresentações, seja em um espetáculo musical ou em uma partida de futebol.

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