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Murder Mouse – Parque da Morte

Pra quem gosta de trash e slasher, tem novidade na área...

Sumário

Embora não sejam sinônimos, muitas semelhanças há entre os chamados Filmes B e o Cinema Trash. A começar, ambos os “gêneros” operam com baixo orçamento, e talvez seja aí onde também  se diferenciam: nem todo filme B se pretende bizarro; por vezes, a bizarrice é fruto da falta de recursos para os efeitos especiais ou pós-produção. Já o “trash” busca entregar exatamente o lixo, chocar pelo inusitado da falta de qualidade, da ruindade, do tosco.

Nascidos na “Era de Ouro do Cinema” nos EUA, entre os anos 1930 e 1950, os “Filmes B” eram de custo baixo e, portanto, de menor qualidade, geralmente faroestes ou terror, com cerca de 60 minutos de duração e exibidos em sessão dupla, antes da atração principal: o “filme A”, os “blockbusters” daquela época, grandes obras com elenco estelar e muita grana. Depois, os Filmes B ganharam as matinês dos sábados à tarde nos cinemas, junto com seriados. Ed Wood, com seu Plano 9 do Espaço Sideral (EUA, 1959, dir. Ed Wood), é um dos grandes expoentes desse cinema, tão “B” quanto trash, assim como Sam Raimi, em The Evil Dead: A Morte do Demônio (EUA, 1981, dir. Sam Raimi), cravou seu nome neste gênero também.

Filmes de cineastas como John Carpenter — vide Halloween: A Noite do Terror (EUA, 1978), Eles Vivem (EUA, 1988) e Assalto à 13ª DP (EUA, 1976) — e Quentin Tarantino, em sua estreia  com Cães de Aluguel (EUA, 1992, dir. Quentin Tarantino), são outros nomes fortes dos Filmes B.

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O “trash” tem uma extensão enorme de filmes que entregam o absurdo de ruindades e cenas obtusas e risíveis. Casos como Piranha 3D (EUA, 2010, dir. Alexandre Aja) e sua sequência Piranha 3DD (EUA, 2012, dir. John Gulager), Sharknado (EUA, 2013, dir. Anthony C. Ferrante), A Centopeia Humana (Países Baixos, 2009, dir. Tom Six), O Ataque dos Tomates Assassinos (EUA, 1978, dir. John DeBello), Rubber: O Pneu Assassino (França, 2010, dir. Quentin Dupieux), A Camisinha Assassina (Alemanha, 1996, dir. Martin Walz)… e tantos outros.

Murder Mouse – Parque da Morte (EUA, 2026), chegando em agora ao serviço de streaming Adrenalina Pura+, é o novo trash/slasher do momento. Pegando carona no fato de o personagem Mickey Mouse ter entrado em domínio público, o diretor e roteirista Kjell Dokkvar, em sua estreia em longas e sob o pseudônimo de R.B.Gore, entrega uma das maiores aberrações em matéria de desqualificação cinematográfica dos últimos tempos.

Não adianta entrar no mérito do roteiro. É uma salada mista amalucada que junta um psicopata assassino debaixo da fantasia do roedor da Disney e um bando de punks fanáticos, adoradores daquele assassino, que formam uma seita para matar e saciar a sede de sangue do camundongo; um grupo de adolescentes babacas, sem carisma nenhum, estúpidos… e, pasmem, um esquadrão de tiro de elite que aparece quase no fim do filme, no tal parque que dá título à versão brasileira, acionado por não sei quem, apenas para ser também exterminado.

Tantas são as mediocridades do filme, a ruindade, a baixeza, que fica difícil. Já foi dito que o roteiro inexiste (e, se existe, é pífio). O elenco todo atua em nível rasteiro, patético, inexpressivo: olhares sem expressão, gritos exagerados, olhos revirando de emoção, passos lentos e apressados, desajeitados… uma aula do que pode ser mais vil em matéria cênica.

A montagem, a continuidade, os (d)efeitos especiais!!! É possível ser pior que aquilo? Muito sangue em profusão, pessoas sendo esquartejadas, partidas ao meio, incendiadas… Tudo feito da pior e mais amadora forma possível!

Para não dizer que é de todo mal, o prólogo, que se passa em 1984, usa uma fotografia analógica granulada com filtro e textura de VHS, emulando uma estética dos anos 80, e tem um resultado visual bastante interessante. Não importa a sequência, ela é tão deplorável quanto todo o resto. Mas é uma fotografia que alcança uma beleza por sua qualidade retrô.

Se a intenção do filme é constranger a plateia, é eficiente. Se era esse o objetivo, mais um mérito para a obra.

Nota: 2/10

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Marcio Souza
Sobre o autor Marcio Souza

Cinéfilo, antes de tudo! Fã de quadrinhos das antigas, amante das letras, psicólogo, bacharel em cinema e áudio visual, crítico de cinema, roteirista, ator, etc. Sou tantas coisas, mas nada me cabe, ou define.

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