Dirigido por Olivia Wilde, ela e Penelope Cruz estrelam um filme repleto de premissas ao lado de Edward Norton e Seth Rogen. Narrando a história de casamento em crise que resulta no convite de um casal de vizinhos para um coquetel, que promete revelar desejos reprimidos com pitadas de humor e drama.

O Tabu no Espelho: Desejos Ocultos e Finais Abertos
O cinema que ousa explorar as complexidades do desejo humano muitas vezes pisa em ovos, mas quando conta com a força magnética de Penélope Cruz, o jogo muda de patamar. Na pele de uma sexóloga e terapeuta experiente, ela engole a tela. Cada gesto, cada palavra carrega a segurança de quem não apenas estuda o prazer alheio, mas decifra a alma dos casais que se aventuram pelo desconhecido. Cruz é, sem sombra de dúvidas, a espinha dorsal de uma narrativa que tenta nos prender pela curiosidade e pelo sussurro do proibido.
Por outro lado, o contraponto vem na figura de Edward Norton. O personagem surge quase como um alívio, o namorado divertido em busca de novas experiências e conexões. Embora passe boa parte do tempo na superfície, há um momento de virada onde sua carga emocional é exposta, revelando feridas e nuances que duram pouco, logo o roteiro corta o clima com uma piada sutil, nos lembrando que ele está ali para colocar lenha na fogueira, agitando as estruturas quando a trama ameaça se acomodar.
O Recomeço é uma Escolha?
O grande trunfo, contudo, reside em como o filme escolhe se despedir do espectador. Longe de entregar respostas fáceis ou o clichê do “viveram felizes para sempre” (ou separados para sempre), o desfecho se recusa a fechar as portas. Através de uma reflexão da própria terapeuta, somos confrontados com uma verdade incômoda sobre relacionamentos perdidos:
Diante do abismo, há sempre duas opções: recomeçar caminhos distintos ou ter a audácia de construir um novo relacionamento com a mesma pessoa.
Esse final aberto não é uma falha; é um convite. Ele nos força a projetar nossos próprios anseios e dúvidas naquela discussão final. Um filme que não termina quando os créditos sobem, mas que continua ecoando, instigando o público a decidir qual teria sido o verdadeiro ponto final.
O Convite estará disponível nos cinemas brasileiros em 9 de julho.
Colla: Renan Sena

