Wes Anderson sendo… Wes Anderson
Após o enigmático Asteroid City, Wes Anderson retorna com Esquema Fenício, sua nova empreitada cinematográfica, estrelada por Benicio Del Toro. Mas será que a estética característica do diretor ainda sustenta um bom filme? Vamos descobrir.
Sinopse
O magnata Zsa-Zsa Korda sobrevive a mais um acidente aéreo e, ao retornar para casa, decide nomear sua filha uma freira como única herdeira de sua fortuna. Juntos, eles embarcam em um novo empreendimento que rapidamente se torna alvo de espionagem industrial, ataques terroristas e conspirações bizarras.
Forma sobre conteúdo
Wes Anderson é sinônimo de estilo. Sua estética singular simétrica, colorida e meticulosamente coreografada segue intacta. Esquema Fenício é um verdadeiro desfile visual: há cenas que parecem quadros, e por vezes, dá vontade de pausar o filme para admirar os detalhes.
No entanto, o encantamento visual não consegue esconder os problemas narrativos. O roteiro, que se propõe a ser um road movie excêntrico, acaba girando em círculos. O filme parece andar sem sair do lugar, e por mais que a viagem seja visualmente interessante, a falta de direção clara no enredo torna a experiência cansativa.
Personagens de uma nota só
O trio principal Benicio Del Toro, Mia Threapleton e Michael Cera entrega atuações divertidas, mas limitadas. São personagens que se repetem, com pouca evolução ao longo do filme. Ainda assim, Cera consegue arrancar alguns risos, principalmente por seu timing cômico estranho e involuntário.
Como de costume nos filmes de Anderson, há uma série de participações especiais que trazem brilho às cenas: Scarlett Johansson, Bill Murray, Willem Dafoe, Rupert Friend, Bryan Cranston e Riz Ahmed. Dentre eles, Murray e Riz se destacam com aparições breves, mas eficazes, adicionando frescor e humor ao longa.
Veredito
Esquema Fenício é, antes de tudo, um filme-conceito. É Wes Anderson em sua forma mais pura: simetria perfeita, paleta de cores quentes e um universo peculiar. Porém, quando se trata de contar uma história envolvente, o longa tropeça. Falta desenvolvimento, falta propósito, falta coração.
Ainda assim, se você é fã do diretor ou quer apenas se perder em um espetáculo visual, a experiência pode valer a pena. É cinema como arte plástica belo, mas nem sempre cativante.
