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Zona Zero (2026)

Do diretor de Invasão Zumbi, chega um novo terror Sul-Coreano...

Sumário

Muito antes de George Romero e seu A Noite dos Mortos-Vivos (EUA, 1968), a tradição dos zumbis no cinema já vinha de longa data, desde Zumbi Branco (EUA, 1932). Claro que Romero deu uma nova roupagem a essas criaturas, que antes eram, muitas vezes, subordinadas — por meio do vodu ou da vontade de algum cientista “maluco” — a um mestre que as controlava. Com A Noite dos Mortos-Vivos, esses seres que voltam dos mortos ganharam os contornos tais quais os conhecemos hoje, seja no cinema, nos games, nos HQs ou nas séries: canibais ressuscitados a partir das mordidas que sofreram, que andam em bandos, famintos e vulneráveis à destruição de seus cérebros ou à queima de seus corpos. Os roteiros inclusive têm muito em comum, trazendo fortes críticas sociais e políticas.

Essas características estão presentes em uma infinidade de obras, nas mais diversas mídias, como em The Walking Dead e derivados, na saga Extermínio, Guerra Mundial Z, [REC] e Resident Evil (games e filmes), entre tantas outras.

Ora lentos, ora hipervelozes, em formas (e deformas) múltiplas,  tais personagens tão representativos da cultura pop internacional estão também na música de Michael Jackson, em seu famoso videoclipe Thriller, e no universo dos heróis da Marvel nos quadrinhos e na série animada Marvel Zombies.

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A influência dos mortos-vivos chegou à Ásia, e da Coreia do Sul veio o cineasta Yeon Sang-ho com o incrível Invasão Zumbi e a simultânea animação Estação Seul (prelúdio do primeiro), ambos de 2016. Invasão Zumbi foi um estrondoso sucesso no mundo todo, trazendo uma dinâmica alucinada, tensa e dramática, focada em um pai ausente que leva a filha de trem de Seul a Busan. Invasão Zumbi 2: Península (2020) foi a sequência do longa, mas não teve o mesmo brilho do original.

É nesse cenário que recebemos seu novo projeto, Zona Zero (2026). Apesar de não ter a mesma intensidade do live-action de 2016, encontramos nele muitas similaridades com o clássico do diretor: zumbis ultrarrápidos que atacam em horda, câmeras agitadas no ritmo da anarquia sanguinolenta das criaturas e uma trilha sonora de massiva intensidade de suspense e agonia, além de gosma, sangue e mortes em profusão.

Interessante notar elementos dos filmes de zumbi “pré-George Romero” — não se trata de um bando descoordenado de mortos-vivos, mas de um exército ligado por uma inteligência coletiva e sob as ordens de um mestre — bem como de Madrugada dos Mortos (EUA, 2004), de Zack Snyder: A ação se passa, como no filme de Snyder, dentro de um ambiente fechado, um Shopping Center, algo semelhante à trama claustrofóbica de Invasão Zumbi. Lá, o interior de um trem em movimento; aqui, trancados dentro de um arranha-céu.

Não chega a ser uma grande novidade, mesclando clichês do gênero, mas, para fãs de mortos-vivos, funciona. O longa traz um grau de angústia e sentimentalismo típicos do diretor a um filme eficiente, que diverte exatamente naquilo a que se propõe.

Nota: 7,5/10

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Marcio Souza
Sobre o autor Marcio Souza

Cinéfilo, antes de tudo! Fã de quadrinhos das antigas, amante das letras, psicólogo, bacharel em cinema e áudio visual, crítico de cinema, roteirista, ator, etc. Sou tantas coisas, mas nada me cabe, ou define.

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