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Viva Marília (2026)

Feito à risca para família, o documentário é uma bela homenagem à atriz e à arte da interpretação....

Sumário

“Eu gosto de ser atriz porque me dá a possibilidade de ser contraditória, louca e rica”. Esta é uma das tantas falas, e auto definições da atriz Marília Pêra, ditas em inúmeras entrevistas que deu ao longo de sua longeva trajetória.

A própria atriz é a narradora do documentário “Viva Marília” (2026). A obra é montada a partir de imagens de arquivo, tanto de seu acervo pessoal quanto de sua atuação profissional no teatro, no cinema e na TV.

Dirigido por Zelito Viana, com codireção de Esperança Motta (filha de Marília) e roteiro de Nelson Motta (ex-marido de Marília e pai de Esperança), “Viva Marília” é uma celebração não só à própria artista, mas também ao ofício de atriz, seja no palco ou à frente das câmeras.

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A narrativa segue uma cronologia que começa desde o seu nascimento em uma família que vivia do teatro — sendo os pais, Manoel Pêra e Dinorah Marzullo, e a avó materna, Antônia Marzullo, todos atores. O filme acompanha a trajetória de Marília já aos quatro anos, quando subiu ao palco pela primeira vez na peça Medeia, encenada pela Companhia de Teatro Artistas Unidos e liderada pela artista francesa Henriette Morineau. Ali, a pequena Marília fez o papel de uma das filhas da protagonista, atuando ao lado dos pais.

O documentário se segmenta a partir desse recorte cronológico: o começo pelo teatro, a passagem pelo balé e pelo piano, e a chegada ao cinema e à TV. Além desses pontos específicos, aborda sua vida familiar, seus casamentos e suas relações com as filhas. Assim, através de fragmentos de entrevistas e recortes de peças, filmes e novelas, “Viva Marília” constrói a figura de uma mulher extremamente disciplinada com seu fazer artístico, apaixonada pelo trabalho e entregue intensamente a tudo o que fazia, inclusive aos relacionamentos afetivos e familiares.

Claro que, por ser uma obra concebida pela família, o documentário tem uma carga “chapa branca”. Afinal, foi co-dirigido por uma das filhas, roteirizado por um ex-marido — que sempre manteve boas relações com Marília após o casamento — e dirigido por um amigo de longa data, funcionando como uma homenagem afetuosa. Sendo assim, não espere nada de polêmico ou que mostre a personagem com as complexidades e antagonismos próprios de uma pessoa real. Conhecida por seu perfeccionismo, exigência nos bastidores e por renegar papéis secundários, nada disso aparece aqui. Apenas de passagem é citado, pela própria atriz, como aceitou o papel em “Central do Brasil” (1998, direção de Walter Salles). Ela diz que acreditava, pois assim Salles lhe havia dito, que seu papel no filme teria a mesma relevância do de Fernanda Montenegro, e não como coadjuvante.

Apesar desse aspecto “oficial” e que “desumaniza” a personagem, “Viva Marília”, enquanto ode à arte da interpretação e à própria atriz, é um filme que emociona e tem muitos méritos. Ao acompanharmos a trajetória da protagonista, é como se fizéssemos um passeio pela história do teatro, do cinema e da TV no Brasil. Vale a pena.

Nota: 7

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Marcio Souza
Sobre o autor Marcio Souza

Cinéfilo, antes de tudo! Fã de quadrinhos das antigas, amante das letras, psicólogo, bacharel em cinema e áudio visual, crítico de cinema, roteirista, ator, etc. Sou tantas coisas, mas nada me cabe, ou define.

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