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OBSESSÃO

Uma das melhores estreias de diretor/roteirista na história Dirigir um filme é algo naturalmente desafiador. O mesmo pode se dizer de escrever um roteiro. Fazer ambos ao mesmo tempo é mais desafiador ainda. E quando você o faz logo em...

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Uma das melhores estreias de diretor/roteirista na história

Dirigir um filme é algo naturalmente desafiador. O mesmo pode se dizer de escrever um roteiro. Fazer ambos ao mesmo tempo é mais desafiador ainda. E quando você o faz logo em seu trabalho de estreia?

Esta foi a missão hercúlea de Curry Barker, conhecido por seus projetos para o Youtube. Em tempos de muita concorrência na plataforma, ele ter conseguido destaque já é uma conquista. E muito deste talento e conhecimento ele colocou em seu longa, já que chamou muita atenção nos festivais em que passou, o que levou a uma corrida das distribuidoras para realizarem o lançamento.

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Curry Barker é da geração Z e aprendeu o que realmente chama a atenção e agrada o grande público atual: premissa instigante, início interessante e desenvolvimento que faça jus ao que prometeu. E, na enésima potência, foi exatamente o que ele conseguiu com Obsessão (2026) que demorei para assistir, mas finalmente o fiz!

Na trama, Urso (Michael Johnston) é apaixonado desde a infância por Nikki (Inde Navarrette), atualmente sua colega de trabalho em uma loja. Ele compra um presente para a amada: um pedaço de madeira que, ao quebrar, transforma um desejo em realidade. Mas, após ter todas as oportunidades de se declarar, mas desperdiçar por timidez, Urso decide usar o presente para si mesmo, desejando que Nikki “o ame mais do que a qualquer outra pessoa no mundo”. E, quase que imediatamente, ela começa a mostrar interesse por ele. E, o que começa como um relacionamento normal, vai aos poucos se transformando num pesadelo.

Apesar de poder ser muita coisa para se dar conta, Curry demonstra o lado positivo de dirigir e escrever um projeto. Ele tem total controle do que está sendo feito e existe uma harmonia gigantesca entre roteiro e direção. Cada momento da história é envolto no clima exato que Curry quer passar. 

Seria muito fácil, dada a liberdade criativa e de execução, que Curry perdesse a mão para algum lado, mas isso não acontece aqui. O que começa como um filme interessante se desenrola de forma que seja impossível desgrudar do que está sendo visto enquanto a atmosfera nos abraça e a expectativa aumenta. E todo o potencial da história é aproveitado: suspense, terror, drama e – a cereja do bolo – humor. Mas um humor de constrangimento que caiu para o filme como uma luva. 

E nada disso seria possível sem um trabalho muito bem feito dos atores, que sabem exatamente o papel deles na trama e parecem entender a serventia de seus personagens para a história. O destaque vai, previsivelmente, para Inde Navarrette. A personalidade carismática de sua personagem mostra dualidades e nuances constantes que chama o filme para si mesma estando ou não ela em tela. Seu papel é beneficiado pelo roteiro e se beneficia dele. 

Curry dispôs as peças sobre a mesa e nos deixou assistindo, impressionados, a forma como ele resolvia o quebra-cabeça de emoções, sem em nenhum momento parar para duvidar sobre os próximos passos. E quando a montagem termina, ficamos muito satisfeitos. Filmes com boas ideias são raros, mas quando eles acontecem e terminam de forma satisfatória, sabemos que vivenciamos algo mais raro ainda. 

E ainda deixou espaço para teorias, escolhas positivamente pouco usuais e uma crítica social muito cabível, demonstrando as multifacetadas competências de Curry Backer. Resta a nós esperar por seus próximos projetos e ver se esta aparente genialidade vai se manter. Não consigo imaginar uma realidade em que este filme não concorra a, pelo menos, as categorias de Melhor Roteiro Original para Curry Backer e Melhor Atriz para Inde.

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Roberto Junior
Sobre o autor Roberto Junior

Escritor, youtuber, crítico de cinema e sei de cor todas as falas da trilogia do Homem-Aranha do Tobey Maguire.

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