Antes mesmo de chegar às salas de cinema brasileiras, “O Sorveteiro” já carregava uma polêmica que faz parte momento da indústria do cinema. O diretor Eli Roth negou publicamente o uso de inteligência artificial generativa na produção, para depois admitir que a ferramenta foi utilizada em pelo menos duas cenas. Discussão que o mundo do cinema e Hollywood ainda não sabem muito bem como resolver e que seguramente estará em várias discussões,
Dito isso, retornemos ao filme em si que no início se apresenta como uma boa possibilidade de um filme de terror tal qual foi possível enxergar no trailer. Um bairro americano pequeno, com a sua vida normal inclusive com uma toada de filme dos anos 80/90. Um sorveteiro suspeito, situações adolescentes. Tudo apresentado em uma sequência de cenas rápidas sendo que uma delas é quase que um dejá vu até que me lembrei que era uma lembrança de “A Hora do Mal”. Esta escolha em si não é um problema, no entanto as resoluções simplórias e a falta de cuidado com o roteiro isso sim é um ponto bem ruim para o filme, uma vez que seus personagens acabam sem desenvolvimento, exceto Jared (Charlie Zeltzer) e Lizzie(Sara Abbott) sua irmã que apresentam algum tipo de cuidado. Esta descuido em várias camadas faz com que as coisas fiquem sem sentido, sendo mais uma sucessão de fatos para fazer o filme chegar em seu desfecho de qualquer maneira e do jeito que puder.
À medida que avança, o filme prefere empilhar violência pela violência mais uma vez sem muito propósito, ainda mais quando boa parte dela recai sobre pais e professores o que me incomodou bastante.
“O Sorveteiro” já entra perdendo pontos devido a IA generativa, apresenta um lampejo de uma boa possibilidade por parecer aqueles filmes de terror de antigamente, mas perde inúmeras chances até mesmo de justificar um final que para se sustentar teria que ter tido o recheio do roteiro para chegar até ali. E pensando um pouco mais sobre parece uma colcha de retalhos de possíveis ideias que no final foram colocadas num liquidificador. Uma pena, estragou a sequência de tantos bons filmes de terror recentes que pude assistir.
Se pensarmos em uma avaliação 4 de 10 é lucro para o filme.
