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Gonzaguinha, Da Maior Liberdade

Eu me lembro de ver o Gonzaguinha quando criança… Tenho cada dia mais na cabeça, digo no coração, que cinema é sentir, viver a experiência que alguém quis compartilhar. Susanna Lira desde a primeira cena nos coloca dentro do universo...

Sumário

Eu me lembro de ver o Gonzaguinha quando criança…

Tenho cada dia mais na cabeça, digo no coração, que cinema é sentir, viver a experiência que alguém quis compartilhar.

Susanna Lira desde a primeira cena nos coloca dentro do universo deste homem simples, profundo e enorme para a nossa cultura.

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A escolha narrativa entre uma música e outra foi de uma sensibilidade gigante. É como se estivéssemos nos mesmos lugares escutando o que ele falava, o que compunha, o que questionava, o que o fazia rir e chorar. E nestas trocas foi nos apresentando Luiz Gonzaga Junior. Seja para quem lembra dele, para quem tinha algumas lembranças e para quem nada conhecia.

Gonzaguinha foi uma pessoa muito atenta ao seu tempo. Viveu a ditadura, enfrentou a censura e teve dezenas de músicas proibidas, mas sua obra nunca se resumiu à resistência política. Ele escreveu sobre o país, sobre relações humanas, sobre amor, sobre desigualdade, sobre esperança e sobre as contradições de uma sociedade que ele observava com enorme atenção.

Não entrarei nos detalhes técnicos, de pesquisa, de construção do material porque de fato é um trabalho incrível. Do Kikito em Gramado assim como de todos prêmios que pode ganhar e não seria nenhuma surpresa se isso acontecer. Hey Oscar olha aqui!

Neste texto quero dizer que o filme por todo este cuidado vai muito além, ele mergulha no homem, na verdade no humano.

A partir do momento em que Gonzaguinha aparece na tela, eu não queria mais deixar de escutar. Quanto mais ele falava, mais vontade de conhecer um pouco mais sobre os detalhes que ele contava. Não como quem assiste a uma entrevista de um artista importante, mas como quem encontra alguém que parece entender coisas que a gente também sente e nem sempre consegue colocar em palavras.

É uma sensação muito particular. Você começa assistindo a um documentário sobre Gonzaguinha e, quando se dá conta está conversando com um amigo, daqueles que entende suas dúvidas, indignações, alegrias, contradições. Por suas músicas atravessaram tanto tempo. Porque existe pertencimento de fazer parte do mesmo lugar, da mesma cultura.

Gonzaguinha tinha essa capacidade de olhar para o mundo e traduzi-lo em poesia.

O filme é a memória de um artista e a nossa própria memória. É um presente que a produção nos entrega. Não apenas um frescor de Gonzaguinha para o cotidiano, é deixar essa conversa sempre aberta com um cara que é sempre bom papear.

Eu me lembro de ver o Gonzaguinha quando criança… e nunca vou esquecer. Assistam Gonzaguinha, da Maior Liberdade no cinema e nunca deixem de escutar suas músicas, seus pensamentos.

Daquele baita filme para colocar todas as estrelas numa avaliação.

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Claudio Rosa
Sobre o autor Claudio Rosa

Uma pessoa que pensa através do cinema. Curte bastante os filmes dos anos 90, acredita que cada obra carrega algo sobre quem somos, nossas memórias, contradições o que nos torna humanos. Porque o cinema não apenas conta histórias: ele nos conecta. Fundador do projeto IntoMyCinema, colabora no Spanglish Cinema, escreve sobre a experiência que o cinema proporciona.

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