A diretora e roteirista Natalie Erika James alcançou reconhecimento internacional em 2020 com o seu filme de estreia, Relíquia Maldita. Desde então, ela vem se aprofundando em histórias de terror visualmente interessantes e com temáticas relevantes, como é o caso de seu mais novo filme, INSACIÁVEL (Saccharine). Com estreia marcada para 06 de agosto nos cinemas brasileiros, o longa distribuído pela Diamond Films propõe uma aterrorizante metáfora dos transtornos alimentares e distúrbios com autoimagem.
“Me desprender das crenças que herdamos sobre comida, imagem corporal e autoestima tem sido um longo processo, e INSACIÁVEL emergiu desse trabalho“, conta Natalie ao Sundance Institute. O filme acompanha a estudante de medicina Hana (Midori Francis, A Vida Sexual das Universitárias), uma jovem com histórico de luta com o próprio peso que se depara com uma pílula misteriosa que promete o emagrecimento rápido. Intrigada com os resultados, ela decide investigar a composição do tal medicamento, e faz uma descoberta macabra: o que tem dentro das cápsulas é cinzas humanas. Decidida a aceitar o bizarro em prol do corpo dos sonhos, Hana se depara com uma consequência sobrenatural e da qual é impossível escapar.
“Cresci com pais que estão em lados opostos do espectro em termos da sua relação com o próprio corpo, com a comida e com a alimentação“, disse a diretora à Variety. “Por um lado, meu pai realmente lutou com a compulsão alimentar. Minha mãe, quase que em resposta, era extremamente estrita com sua dieta e muito preocupada com a saúde. No meio disso, a hora da refeição parecia um campo minado. Cresci com várias ideias distorcidas sobre imagem corporal, como acontece com vários de nós. Levou um tempo longo para processar essa noção, e a ideia [para o filme] veio desse processo de recuperação.“

Natalie Erika James tinha a ideia de que um transtorno alimentar pode dar a sensação de que existe algo externo dentro de você tentando assumir o controle – uma figura escura e sinistra que está apenas esperando o momento certo para atacar. E foi essa tal figura que a diretora buscou trazer para INSACIÁVEL, tendo como referência o conceito de fantasmas famintos, seres com uma fome insaciável. “A conexão com as cinzas era bem ‘O Retrato de Dorian Grey‘ na minha cabeça, em termos de um fantasma que vai ficando cada vez maior conforme ela come, e a pintura vai envelhecendo“, detalhou em conversa com o Rue Morgue.
Em termos visuais, a diretora quis se afastar do gótico sombrio de seu primeiro trabalho e buscar algo que fosse visualmente rico, colorido e viciante – como os doces. “Nosso desejo era que tivesse uma pegada pop. Queríamos que as cores e a luz fossem guiados pelo estado interno de Hana. Traços de cor que fossem quase como doces e a alta da dopamina que chega com o açúcar. Queríamos o doce e a sujeira — a podridão do corpo, assim como a euforia do açúcar”, revelou ao Rue Morgue. “Mesmo no design do apartamento de Hana e nas salas de dissecção e em todos os corpos, queríamos algo que parecesse muito tátil.”

INSACIÁVEL tem distribuição Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, e estreia nacionalmente no dia 06 de agosto.
Créditos do release: Sinny Assessoria
Créditos dos materiais de divulgação: Sinny Assessoria/Diamond Films
