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Crítica: Tick Tick… Boom! (2026)

Tick, Tick Boom

Algumas histórias merecem ser contadas A força de um sonho antes do tempo acabar Entre os espetáculos do segundo semestre de 2026, Tick, Tick… Boom! chega a São Paulo em uma curta temporada trazendo uma das histórias mais emocionantes do...

Sumário

Algumas histórias merecem ser contadas

A força de um sonho antes do tempo acabar

Entre os espetáculos do segundo semestre de 2026, Tick, Tick… Boom! chega a São Paulo em uma curta temporada trazendo uma das histórias mais emocionantes do teatro musical. A peça acompanha a trajetória de Jon, um jovem compositor que sonha em criar um grande espetáculo enquanto enfrenta as inseguranças, pressões e medos de chegar aos 30 anos sem ter realizado aquilo que sempre desejou.

Mas será que essa nova montagem consegue transmitir toda a emoção da história de Jonathan Larson?

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Sinopse

Tick, Tick… Boom! acompanha a história semiautobiográfica de Jon, um jovem compositor que trabalha como garçom em Nova York durante os anos 1990. Próximo de completar 30 anos, ele começa a questionar suas escolhas e seu futuro artístico.

Enquanto tenta criar seu grande espetáculo, Jon precisa lidar com a pressão de amigos e da namorada, que acreditam que ele deveria abandonar seus sonhos e buscar uma vida mais estável financeiramente.

A peça apresenta uma reflexão sobre ambição, medo, tempo e o desejo de deixar uma marca no mundo.

A história de Jonathan Larson

Antes de chegar aos palcos brasileiros, Tick, Tick… Boom! ganhou uma nova popularidade mundial com a adaptação cinematográfica de 2021, estrelada por Andrew Garfield e dirigida por Lin-Manuel Miranda. O filme trouxe novamente os holofotes para a história de Jonathan Larson, criador de Rent, um dos musicais mais importantes da Broadway.

No Brasil, a obra já havia recebido diferentes montagens. Antes da versão atual, o espetáculo ganhou uma produção em 2018 com Bruno Narchi, Thiago Machado, Giulia Nadruz e Lara Suleiman no elenco, além de uma montagem mais recente no Rio de Janeiro em 2025.

Agora, a produção chega a São Paulo com uma nova visão e um novo elenco.

Um elenco que sustenta a emoção

A nova montagem conta com Camille Dutra, Diego Montez, Pedro Balu e Matheus Boa, que carregam o espetáculo com muita entrega.

Um dos maiores acertos da produção está justamente na química entre os atores. Em um cenário simples, o elenco se torna o principal elemento da narrativa, fazendo com que os sentimentos dos personagens sejam ainda mais evidentes.

A simplicidade da montagem acaba funcionando a favor do espetáculo. Sem grandes elementos visuais para distrair o público, a atenção fica totalmente voltada para os atores, suas interpretações e a força das músicas.

Diego Montez, especialmente, consegue transmitir muito bem as inseguranças e a ansiedade de Jon, construindo um protagonista que é ao mesmo tempo sonhador e extremamente humano.

Direção e construção do espetáculo

A direção de Luiza Lewcki, Julia Varga e Marcela Pires é bastante eficiente ao conduzir o elenco e equilibrar os diferentes momentos da peça.

Mesmo que em algumas situações as interpretações ultrapassem um pouco o tom ideal ou que o próprio texto apresente pequenas falhas, a direção consegue manter o controle da narrativa e preservar o coração da história.

O espetáculo entende que Tick, Tick… Boom! não depende de grandes recursos, mas sim da conexão emocional entre os personagens e o público.

A música como elemento principal

A direção musical fica por conta de Caio Loureiro, com adaptações das músicas realizadas por Thiago Machado e Bruno Narchi.

As canções continuam sendo o grande coração do espetáculo, e boa parte das versões funciona muito bem, mantendo a emoção e a energia das composições originais. Algumas adaptações acabam soando um pouco estranhas em determinados momentos, mas isso não compromete a experiência geral.

A trilha consegue transmitir exatamente o sentimento principal da obra: a angústia de alguém que sente que o tempo está passando rápido demais enquanto tenta realizar seus sonhos.

Uma história simples, mas poderosa

Um dos maiores méritos de Tick, Tick… Boom! é mostrar que grandes histórias não precisam necessariamente de grandes produções.

Mesmo sendo apresentado em um espaço mais simples como o Teatro Viradalata, o espetáculo consegue transformar essa limitação em uma qualidade. A proximidade com o público aumenta a sensação de intimidade e faz com que a trajetória de Jon pareça ainda mais real.

Conclusão

Tick, Tick… Boom! é uma daquelas histórias que merecem ser conhecidas. Uma obra emocionante sobre sonhos, escolhas e o medo de não conseguir realizar aquilo que sempre desejamos.

A nova montagem brasileira consegue entregar uma experiência cativante, principalmente pela força do elenco, pela direção sensível e pela simplicidade bem utilizada.

No fim, o espetáculo prova que, muitas vezes, não é necessário um grande palco ou uma superprodução para emocionar. Basta uma boa história, atores entregues e uma mensagem capaz de tocar o público.

Tick, Tick… Boom! é uma celebração dos sonhos e um lembrete de que algumas histórias realmente precisam ser contadas.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

Apaixonada por cultura pop, teatro e musicais. Fã de Wicked, da Supergirl e de histórias inspiradoras, encontrrei nos palcos e nas telas minha maior fonte de entretenimento. Corinthiana de coração, valorizo a emoção das grandes apresentações, seja em um espetáculo musical ou em uma partida de futebol.

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