O horror de sobrevivência de Zach Cregger
Está chegando aos cinemas Resident Evil, novo filme que promete dar uma grande chacoalhada no universo de Resident Evil, uma franquia que nunca foi uma unanimidade quando falamos das suas adaptações para o cinema. Depois de diversos filmes que seguiram caminhos diferentes dos jogos, agora chega uma nova tentativa de trazer a essência do terror que fez a franquia se tornar tão famosa. Mas será que dessa vez funciona? Vamos descobrir.
Sinopse: Um entregador de medicamentos se vê em uma luta desesperada pela sobrevivência contra criaturas mutantes e sedentas de sangue.
Um novo universo para Resident Evil
Uma coisa que já temos que pontuar aqui é que esse filme se passa em um universo totalmente paralelo e único de Resident Evil. Então, não entre aqui esperando mil referências, personagens conhecidos dos jogos ou uma adaptação direta de alguma história específica. Aqui, Zach Cregger decide criar a sua própria versão desse universo, com uma narrativa fechada e uma nova perspectiva sobre a franquia.
E, sem dúvidas, esse é o maior acerto do diretor: entender que ele não precisa repetir exatamente aquilo que já conhecemos. Ao invés disso, ele aposta no simples e no elemento que sempre foi o coração de Resident Evil: o medo de sobreviver.
O filme entende que o terror da franquia nunca esteve apenas nos monstros, mas também na sensação de estar preso em um lugar desconhecido, sem saber o que está esperando na próxima porta. Essa atmosfera é construída muito bem ao longo da produção, trazendo novamente a sensação de vulnerabilidade que marcou principalmente os primeiros jogos.
Um protagonista mais humano
Bryan, nosso protagonista interpretado brilhantemente por Austin Abrams, é apenas um entregador de medicamentos. E justamente por isso ele se torna tão interessante.
Diferente de personagens como Leon, Jill, Chris e Claire, que são treinados e possuem habilidades de combate, Bryan é apenas uma pessoa comum colocada em uma situação completamente absurda. Ele erra tiros, não sabe recarregar uma arma, escorrega, toma decisões ruins e comete erros. Ele não é um herói perfeito, ele é apenas alguém tentando sobreviver.
Essa escolha faz com que o público consiga se identificar muito mais com ele, porque conseguimos imaginar como seria estar naquela situação. O filme entende que o medo funciona melhor quando acompanhamos alguém que também está assustado, alguém que não tem todas as respostas e que precisa aprender enquanto tenta continuar vivo.
O filme ainda conta com um elenco bastante interessante com nomes como Paul Walter Hauser e Zach Cherry, que conseguem complementar a história. Porém, sem dúvidas, o grande destaque da produção é Austin Abrams, que carrega boa parte do filme nas costas e consegue equilibrar momentos de tensão com o lado mais cômico do personagem.
O equilíbrio entre terror e humor
Uma característica bastante presente no trabalho de Zach Cregger, desde A Hora do Mal, é a capacidade de misturar momentos extremamente tensos com cenas que funcionam quase como um respiro para o público. Em Resident Evil, isso também está presente.
O problema é que, em alguns momentos, o filme exagera nesse humor. Algumas piadas acabam quebrando um pouco a tensão que estava sendo construída, principalmente quando os personagens tomam decisões consideradas muito questionáveis em situações de perigo.
Mesmo assim, o diretor consegue criar cenas de tensão muito eficientes. Ele entende o momento de segurar a informação, criar expectativa e fazer o público sentir que existe algo observando os personagens a qualquer momento.

O retorno do Survival Horror
Mas Resident Evil é, sem dúvidas, o filme que mais abraça a essência do Survival Horror. A produção pega referências dos três primeiros jogos da franquia e também do sétimo título, trazendo uma atmosfera muito mais próxima do terror psicológico e da sobrevivência.
Raccoon City aqui é uma das melhores representações da cidade no audiovisual. O filme transforma o local em um ambiente sufocante, perigoso e misterioso, uma cidade em que você realmente não gostaria de estar preso.
A direção de arte e a construção do clima ajudam muito nessa experiência. Cada corredor, cada ambiente escuro e cada encontro com as criaturas fazem o público sentir a mesma insegurança que os jogos sempre passaram.
Um novo começo para a franquia
Esse, sem dúvidas, é o melhor filme da franquia Resident Evil. Um longa que entende como ninguém o que faz essa franquia funcionar. Mesmo sem apostar em referências diretas ou depender apenas de personagens conhecidos, ele coloca pequenos detalhes e easter eggs que agradam aos fãs mais antigos.
Porém, o filme também possui seus problemas. O excesso de humor em alguns momentos e algumas escolhas dos personagens acabam tirando um pouco do impacto da narrativa. Além disso, algumas situações poderiam ser melhor desenvolvidas para entregar uma experiência ainda mais marcante.
Mesmo assim, Zach Cregger consegue entregar algo que muitos filmes anteriores da franquia não conseguiram: um verdadeiro filme de terror baseado no espírito de Resident Evil.
Se você gosta da franquia e estava esperando uma adaptação que realmente respeitasse a ideia de Survival Horror, esse filme merece cada segundo.
