Ryūsuke Hamaguchi está de volta. O diretor, vencedor do Oscar de melhor filme internacional por Drive My Car, retorna com seu novo drama “O Sentido da Vida”, emocionante obra que retrata questionamentos da vida com a maestria que só o diretor consegue.
Na trama, Marie-Lou dirige um lar de idosos perto de Paris e se esforça para oferecer cuidados mais humanos. A amizade com Mari, uma encenadora japonesa com câncer terminal, reforça seu compromisso com a dignidade dos residentes.
Filmes com três horas de duração podem afastar parte do público, mas “O Sentido da Vida” demonstra como esse tempo pode ser aproveitado para contar de maneira fluida e emocionante a jornada de quase 15 dias de amizade improvável entre Marie e Mari, em que esse questionamento nos seres humanos e tempos são debatidos de forma extremamente fácil de entendimento.
Hamaguchi e a roteirista Léa Le Dimna tiveram trabalho de escrita impressionante. Essa obra tem diálogos longos e calor humano sobre qual o sentido da vida. Esse título é tão profundo quanto é a produção. Um dos momentos mais interessantes ocorre quando as protagonistas discutem o sistema capitalista, a discussão por todos os detalhes do sistema, dos autos aos baixos. Isso é interpretado de maneira simples: o domínio dos roteiristas sobre esse tema e maneira equilibrada sobre o assunto.

O tema da vida, algo muito forte no filme “Marie, cuida de casa de idoso”, foco do filme, fica lá por bom tempo, discutindo a mortalidade e humanidade nesse bloco do filme, uma das partes mais poderosas do longa. Seu método humanizado, que nem sempre agrada a todos, funciona em trazer discussões humanas sobre como é tratar os idosos.
O filme tem vários significados; ele trata temas como morte, viver, qualidade de vida, amor e capitalismo. Poderia ficar escrevendo milhares de linhas e linhas de texto com humanidade e tratada no filme, trazendo bons questionamentos e debates.
Virginie Efira (Benedetta), torço muito para que ela tenha reconhecimento na temporada de premiações. Sua Marie-Lou tem uma complexidade e carisma que permeiam o longa a cada momento em cena. A atriz faz pequenos gestos, olhares e sorrisos, usando a coragem e determinação. Não sabemos muito sobre ela, mas esses pequenos detalhes, quando aparecem, são abraçados com a oportunidade de entender sua identidade.
Tão Okamoto, Mari traz a atuação mais emocional do longa. A morte paira no ar para não se deixar vencer; há uma esperança em seu olhar, mesmo com dor. Mesmo diante da dor, ela continua buscando experiências capazes de dar sentido ao tempo que lhe resta. Diretora de teatro, ela usa o domínio sobre palcos em sua vida para trazer sentimento à arte e transformar as pessoas.
“O Sentido da Vida” tem direção excelente por parte de Hamaguchi, um texto forte que não tem medo de criticar, humanizar e debater a humanidade, seja no campo teórico ou físico. O calor humano está presente nesse filme com poucos. As atuações das duas protagonistas brilham. Com exclusão final, mesmo dolorosa, o longa se encerra com o questionamento que ficou comigo: “Não tenha medo de viver”.
