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Qual é a verdadeira Cidade dos Sonhos?

Chega aos cinemas essa semana uma versão remasterizada em 4K de Mulholland Drive, o clássico de David Lynch. Mas a pergunta é: será que o filme continua bom depois de quase 25 anos? A resposta é simples: sim — e talvez até melhor com o tempo.

Sinopse:

Uma jovem aspirante a atriz chega a Hollywood com grandes sonhos. Lá, cruza o caminho de uma mulher misteriosa que sobreviveu a uma tentativa de assassinato e sofre de amnésia após um acidente de carro. A partir daí, as duas mergulham em um enredo surreal e perturbador, onde a realidade e o sonho se misturam de forma inquietante.

Entender tudo? Nem tenta.

Assistir a um filme do David Lynch esperando explicações claras é o maior erro que alguém pode cometer. Com Mulholland Drive, ele mais uma vez prova que cinema também é sensação, não só lógica. É como entrar num pesadelo com luzes de neon, silêncios incômodos e uma constante sensação de que tem algo errado — mesmo que você não consiga dizer o quê.

O ritmo é lento, sim. A narrativa é enigmática, sim. E Lynch não pega ninguém pela mão. Isso pode afastar o público casual, mas quem se permite embarcar na experiência, sai com a cabeça fervilhando de teorias e sensações.

Elenco que hipnotiza

Naomi Watts e Laura Harring estão simplesmente impecáveis. A química entre elas é intensa e enigmática, entregando momentos que oscilam entre o sensual, o inquietante e o surreal. Watts, em especial, oferece uma das atuações mais camaleônicas e subestimadas da carreira — é assustador ver sua transformação ao longo do filme.

E quando Justin Theroux entra em cena, o caos só aumenta — no melhor dos sentidos. Seu personagem carrega uma energia estranha que combina perfeitamente com o clima de sonho febril que Lynch cria.

Cinema como experiência

Cidade dos Sonhos não quer que você entenda tudo. Ele quer que você sinta. E nesse ponto, ele acerta em cheio. A forma como Lynch conduz as cenas alucinógenas, aliado à edição e à trilha sonora quase hipnótica, transforma o longa numa experiência sensorial completa.

É o tipo de filme que você assiste, termina confuso, e já quer rever para tentar montar o quebra-cabeça. E mesmo depois de cinco revisões, ainda vai ficar se perguntando: o que foi real? E o que foi sonho?


No fim das contas…

Cidade dos Sonhos é um daqueles filmes que desafiam o espectador — e é exatamente por isso que ele envelheceu tão bem. A cada revisita, uma nova interpretação, uma nova pista, um novo arrepio. A versão em 4K é o pretexto perfeito para mergulhar de novo (ou pela primeira vez) nesse pesadelo elegante que só David Lynch sabe criar.

Nota: 9/10

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