Texto: Lucas Valença
Repete a magia da animação, mas evita criar a sua própria
Sinopse: Moana é um futuro filme de 2026, dos gêneros aventura e musical, dirigido por Thomas Kail, com roteiro de Jared Bush e Dana Ledoux Miller, e produzido por Dwayne Johnson, Hiram, Dany Garcia e Beau Flynn, O filme é uma adaptação em live-action da animação homônima de Walt Disney.
Dirigido por Thomas Kail, o live-action de Moana chega aos cinemas brasileiros em sessões antecipadas hoje, 8 de julho, marcando o aniversário de 10 anos da animação original. Dwayne Johnson, que já emprestava sua voz ao personagem Maui na versão animada, dá vida ao personagem na adaptação, enquanto Catherine Laga’aia, escolhida para interpretar Moana, estreia como protagonista no cinema. Rena Owen também é um dos grandes destaques do elenco principal como Vovó Tala.
Adaptações em live-action sempre são um terreno sensível. Parte do público gosta quando a obra assume riscos, outra prefere que ela siga à risca cada detalhe do material original. É interessante quando remakes complementam a experiência, corrigem o que não funcionava e, ainda assim, homenageiam o que já era bom, permitindo que uma nova geração conheça a história. E, sendo um musical, a criatividade para adaptar o que antes era “desenhado” costuma ser um grande diferencial. Aladdin (2019) é um exemplo perfeito disso, com as músicas ganhando uma nova roupagem e as cenas mais espalhafatosas sendo remontadas com criatividade.
Moana (2026) decide ficar em uma zona segura, seguindo fielmente o que tornou o original um sucesso, e o que sobra de novidade para o público é a curiosidade de ver como serão as traduções em tela com atores reais.
E é aí que mora um ponto crucial: a animação é excelente, a trilha sonora é uma das mais queridas da Disney desta geração e, naturalmente, a adaptação herda toda essa qualidade. Mas o que não funcionava tão bem na versão animada também permanece aqui. Um exemplo é o momento de conflito entre Moana e Maui, que leva o semideus a abandoná-la. A sequência continua com um diálogo um pouco arrastado e acaba quebrando o ritmo contagiante que o filme vinha construindo.

Nas cenas musicais,tive a impressão de que algumas canções precisaram desacelerar um pouco para que os atores dessem conta do canto sincronizado com as coreografias. Imagino que, em uma animação, seja mais fácil movimentar os personagens e usar recursos visuais para manter a dinâmica.
O CGI é muito bom e não causa estranheza em nenhum momento, diferente das perucas de alguns personagens, que incomodam no início e depois passam meio despercebidas. A qualidade técnica ajuda o filme a não depender só de uma história que já era sucesso garantido, mas o grande desafio de Moana vai ser convencer o público a sair de casa para ver uma adaptação 98% igual a um material ainda muito recente na memória de todo mundo. Onde o filme acerta em cheio é no elenco: Rena Owen como Vovó Tala é um show à parte e entrega toda a delicadeza da personagem com um timing cômico impecável, mantendo a mesma carga emocional que fazia essa relação tão especial na animação. Catherine Laga’aia foi uma escolha certeira, em sua estreia como protagonista, sua voz dá conta da emoção que as músicas pedem e sua atuação é muito cativante. E “The Rock” como Maui… nem tem muito o que dizer, ele simplesmente é o Maui. A dublagem dele na animação já era tão boa que parecia estarmos olhando para o próprio ator e, como Maui em carne e osso, era óbvio que seria uma interpretação impecável.
“Along the Way”, música inédita de Lin-Manuel Miranda que comandou de forma brilhante a trilha do original, fica na cabeça. Mas, assim como todos os outros pontos positivos do filme, deixa a mesma sensação: Moana (2026) não erra em nada do que se propõe a repetir, mas também não se arrisca o suficiente para justificar o porquê essa história precisava ser contada novamente.

