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As cinebiografias são tanto quanto polêmicas, indo de relatos mais profundos com Rocketman (2019) ou “chapa-branca”, como em Bohemian Rhapsody (2018). Ver  seu artista favorito no cinema pode ser complexo. Michael entra no meio-termo entre essas duas obras.

Na trama, acompanhamos a vida de Michael Jackson, a criação da banda com os irmãos Jackson 5, a relação complicada com seu pai até o estrelato como artista mundial.

O diretor Antoine Fuqua (Dias de Treinamento) e o roteirista John Logan (Bohemian Rhapsody) tiveram dificuldade em condensar uma parte da vida de um dos maiores artistas do século em cerca de 2 h 7 min. Apesar do desafio, a dupla entrega um bom equilíbrio narrativo.

Logan equilibra o lado pessoal e artístico  em seu texto, que sente a vulnerabilidade de uma criança em ascender como um jovem prodígio na música para um astro global. Esses pontos são bem desenvolvidos e constroem a relação de tensão entre Pai (Colman Domingo) e seus filhos. Corrompido pela ambição, traz uma dualidade com o astro e bons momentos dramáticos.

A câmera observa o Rei do Pop como astro desde sua infância; dá para sentir a emoção pelas lentes, acompanhando desde o início do Jackson 5 até a chegada do estrelato. A produção escorrega no uso excessivo de CGI, dando um peso de artificialidade nas representações de shows em estádios, principalmente no final.

Michael /Foto: Universal Pictures

Fuqua apresenta Michael “perfeito” a partir desse momento, os problemas surgem. Seu único momento de conflito na relação com o pai, dito acima, é no fatídico acidente da Pepsi. Tirando isso, sucesso é mais sucesso. Faltava ver o outro lado do cantor.

A melhor parte é a atuação brilhante do sobrinho de MJ, Jaafar Jackson, que literalmente encarna Michael. A captura dos trejeitos, dos movimentos, da maneira de falar, tudo combina em uma atuação que chama atenção, principalmente por ser o seu primeiro grande papel no cinema, em momentos em que eu esquecia que estava vendo um longa  e parecia estar assistindo à gravação de uma apresentação ao vivo.

Juliano Valdi, a versão mirim do astro traz boa atuação também. Colman Domingo entrega um papel caricato; seu Joseph Jackson parece um vilão de desenho animado, com uma maldade assustadora que traz ganância que o desumaniza perante os demais membros da família. Nia Long interpreta a mãe, Katherine. Seu papel se resume a dar conselhos morais ao filho e ao marido.

Como cinebiografia, Michael surpreende, apesar de seus deslizes narrativos e visuais. Consegue encantar e  divertir ,consegue fazer um bom compilado da primeira parte do Rei do Pop, fazendo assim uma homenagem que vai fazer os fãs de MJ brilharem os olhos com “consegui comigo”.  

NOTA: 6/10

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