A vingança à moda antiga
Entre os lançamentos mais aguardados de 2026 da A24, Manual Prático de Vingança Lucrativa se destaca por tentar revisitar uma narrativa clássica de vingança e ambição. O filme, estrelado por Glen Powell, propõe uma história onde a frieza, a ambição e o humor ácido se misturam, mas será que ele consegue entregar algo além do óbvio?
Sinopse
A trama acompanha Becket Redfellow, um homem renegado por sua própria família bilionária, que decide eliminar sete parentes para reivindicar uma herança de 28 bilhões de dólares. O filme se desenrola de maneira quase fria, acompanhando a trajetória de Becket enquanto ele aguarda sua execução na prisão. A narrativa, embora simples, busca explorar a frieza moral do protagonista e as sutilezas de sua vingança, equilibrando suspense, humor e drama em doses calculadas.
Uma releitura de um clássico
Manual Prático de Vingança Lucrativa é um remake do clássico As Oito Vítimas de 1949, estrelado por Alec Guinness, e a proposta da A24 era revitalizar essa história quase um século depois. No entanto, apesar do carisma de Glen Powell e da produção elegante, o filme parece hesitar em trazer uma identidade própria. Enquanto o original trazia um humor ácido e uma tensão que beirava o absurdo, a versão atual peca por se aproximar mais de uma recriação do que de uma reinvenção.
Glen Powell, como protagonista, continua a mostrar seu talento e carisma inegáveis. Seu sorriso e presença magnética seguram boa parte do filme, mas ainda assim falta um tempero extra que faria sua performance realmente memorável. Ele interage de forma interessante com Margaret Qualley, criando momentos de tensão e charme, e com Topher Grace, cuja presença breve lembra o próprio ator mais do que seu personagem, adicionando uma leveza divertida às cenas.
Ed Harris, por outro lado, assume o papel do vilão de desenho animado, exagerado e caricatural, mas essa escolha funciona dentro da lógica do filme, justamente por contrastar com a frieza calculista de Becket. A dinâmica entre Harris e Powell cria alguns dos momentos mais tensos e intrigantes, especialmente nas sequências em que a narrativa vai se aproximando do ápice da vingança.

Acertos e limitações
O filme consegue manter o espectador interessado graças à sua execução técnica impecável: fotografia elegante, enquadramentos precisos e trilha sonora que combina com o tom frio e calculista da narrativa. As interações entre os personagens são divertidas e o suspense é mantido até o clímax, mesmo que de maneira previsível.
Entretanto, a grande limitação de Manual Prático de Vingança Lucrativa é justamente sua falta de ousadia. Em muitos momentos, o filme parece apenas replicar o clássico de 1949 sem trazer um frescor próprio. Algumas decisões narrativas são previsíveis e a tentativa de equilibrar humor, drama e suspense acaba resultando em um filme seguro demais, sem grandes surpresas ou reviravoltas impactantes.
Considerações finais
No fim, Manual Prático de Vingança Lucrativa é um filme competente, mas desnecessário. Ele entrega uma estética refinada, atuações carismáticas e momentos de tensão interessantes, mas não chega a atingir a profundidade ou o charme do filme original. Para quem é fã de Glen Powell ou busca uma experiência de suspense com humor ácido leve, o filme vale o tempo gasto, mas para quem esperava uma releitura ousada ou reinventiva, talvez fique a sensação de oportunidade perdida.
