A maldição continua à porta
Depois de 28 anos, as Irmãs Owens retornam aos cinemas com Da Magia a Sedução: Feitiço de Amor, trazendo novamente Nicole Kidman e Sandra Bullock aos papéis de Sally e Gillian Owens. A sequência aposta na nostalgia, na magia e, principalmente, na relação familiar que sempre foi o coração da franquia. Mas será que esse retorno consegue recuperar o charme do primeiro filme?
Sinopse: Duas bruxas precisam confrontar a maldição sombria que ameaça destruir sua família.
Entrar para assistir a Da Magia a Sedução: Feitiço de Amor esperando uma obra revolucionária, que seja muito mais do que uma divertida sessão da tarde, é uma das coisas mais equivocadas que alguém pode fazer, principalmente levando em consideração o histórico do primeiro filme. Da Magia a Sedução nunca se propôs a ser uma grande obra de fantasia épica. Seu charme sempre esteve justamente na simplicidade, na atmosfera e na relação entre as personagens.
Aqui, essa proposta é intensificada. A trama volta a girar em torno da família Owens e da maldição que, aparentemente, ainda não foi completamente encerrada. O filme tenta expandir aquilo que já conhecemos, apresentando novas gerações e novas relações, mas nem todas as escolhas funcionam da mesma maneira.
Nicole Kidman e Sandra Bullock continuam sendo a alma do filme
O reencontro de Sally e Gilly
Ver Nicole Kidman e Sandra Bullock novamente juntas como Sally e Gilly é, sem dúvidas, a melhor coisa de Da Magia a Sedução: Feitiço de Amor. As duas possuem uma dinâmica que continua funcionando mesmo depois de quase três décadas.
A interação entre Sally e Gilly consegue trazer novamente aquele sentimento de família que fazia parte do primeiro filme. Existe uma intimidade entre as personagens que não precisa ser explicada o tempo inteiro, porque a história já construiu essa relação anteriormente.
É justamente nesses momentos que o filme encontra sua melhor forma. Quando deixa de tentar apresentar novos personagens ou criar grandes reviravoltas e simplesmente coloca Sally e Gilly juntas, a produção consegue recuperar parte da magia que tornou o primeiro filme tão querido.
As tias continuam sendo um dos grandes destaques
A presença das tias também ajuda bastante. A interação das personagens com as tias, interpretadas por Stockard Channing e Dianne Wiest, proporciona alguns dos momentos mais emocionantes da produção.
Existe uma sensação de despedida e de passagem de legado que funciona especialmente bem para quem acompanhou a história original. São personagens que carregam consigo décadas de história e que ajudam a lembrar ao público por que a família Owens continua sendo tão interessante.
Uma nova geração que não convence
Joey King e Maisie Williams
Se Nicole Kidman e Sandra Bullock são o coração do filme, Joey King e Maisie Williams acabam sendo um dos seus principais problemas.
A produção parece inicialmente querer apresentar as duas como uma espécie de nova geração da família Owens, assumindo o protagonismo e carregando a franquia para o futuro. O problema é que essa ideia praticamente desaparece depois dos primeiros minutos.
As duas personagens seguem caminhos diferentes e a dinâmica que poderia existir entre elas nunca é realmente desenvolvida. Falta química, falta construção e, principalmente, falta tempo para que o público compreenda por que deveria se importar tanto com essa nova relação.
É uma pena, porque a ideia de apresentar uma nova geração poderia funcionar muito bem. O problema não está necessariamente nas atrizes, mas na forma como o roteiro constrói essas personagens.
Um romance que não funciona
O mesmo problema aparece no romance entre a personagem de Joey King e o personagem interpretado por Xolo Maridueña.
O casal parece seguir as mesmas batidas do relacionamento apresentado no primeiro filme: duas pessoas que se apaixonam rapidamente e precisam enfrentar as consequências desse amor dentro da maldição. Porém, dessa vez, a fórmula não funciona tão bem.
Em contrapartida, a relação entre Sandra Bullock e Lee Pace funciona muito melhor. Existe uma dinâmica mais interessante entre os dois, principalmente porque o relacionamento permite explorar um lado diferente da maldição e mostrar como ela afeta os personagens décadas depois.

O charme gótico do primeiro filme faz falta
Um dos maiores problemas de Da Magia a Sedução: Feitiço de Amor é justamente a dificuldade de recuperar a atmosfera do primeiro filme.
A produção original tinha um charme muito particular. A fotografia, a casa das Owens, os elementos góticos, a sensação de mistério e até mesmo a forma como a magia era apresentada ajudavam a criar uma identidade muito própria.
Nesta sequência, tudo parece um pouco mais convencional.
A magia continua sendo divertida e existem bons momentos visualmente interessantes, mas falta aquela sensação de encantamento. O primeiro filme conseguia fazer com que a casa, os objetos e até os pequenos rituais parecessem parte de um universo muito maior.
Aqui, a produção parece mais preocupada em avançar a história do que em construir novamente essa atmosfera.
Um roteiro divertido, mas previsível
Outro problema está no roteiro. Da Magia a Sedução: Feitiço de Amor possui algumas coincidências convenientes demais para fazer a narrativa avançar e apresenta personagens demais para uma história que poderia ser muito mais simples.
Em determinados momentos, parece que o filme quer apresentar várias possibilidades ao mesmo tempo: uma nova geração, a continuidade da maldição, novos romances e o retorno das personagens clássicas.
O resultado é uma história um pouco inchada, que nem sempre consegue desenvolver tudo aquilo que apresenta.
Mesmo assim, o filme não chega a ser desagradável de assistir. Pelo contrário. Existe uma leveza que combina com a proposta da franquia e alguns momentos conseguem emocionar justamente por causa da nostalgia.
A magia das Irmãs Owens continua viva
No fim, Da Magia a Sedução: Feitiço de Amor não é tão bom quanto o primeiro filme e está longe de recuperar completamente o charme, a estética gótica e a atmosfera que tornaram o original tão especial.
Ainda assim, existe algo que continua funcionando: a magia das Irmãs Owens.
Nicole Kidman e Sandra Bullock continuam sendo o grande motivo para assistir ao filme, e a relação entre Sally e Gilly permanece como o elemento mais forte da franquia. Quando o filme entende isso, ele funciona muito bem.
Da Magia a Sedução: Feitiço de Amor é, no fim, uma boa sessão da tarde para quem já gosta do primeiro filme. É uma aventura divertida, nostálgica e, em alguns momentos, emocionante, mesmo carregando problemas de roteiro, personagens demais e algumas escolhas narrativas questionáveis.
Não é o retorno perfeito das Irmãs Owens, mas é bom poder reencontrá-las depois de 28 anos. E, para quem sente carinho pelo primeiro filme, talvez seja justamente essa sensação de voltar para casa que faça a experiência valer a pena.
