Quando um prédio se torna um caos
Entre os lançamentos deste ano, tivemos Copan, documentário que conta a história do edifício Copan, um dos maiores e certamente mais emblemáticos prédios de São Paulo. Mas será que um filme sobre a rotina de um condomínio consegue prender a atenção do público? Vamos descobrir.
Sinopse
O edifício Copan, localizado na cidade de São Paulo, é um microcosmo do Brasil. Seus cinco mil moradores e mais de cem funcionários representam uma diversidade de personagens e pontos de vista que revelam contrastes e desigualdades estruturais do país.
Um documentário que flerta com o terror
Copan é um dos documentários mais intrigantes do ano. A diretora Clarice Wallauer consegue transformar algo aparentemente comum em uma experiência quase claustrofóbica. Em diversos momentos, o filme se aproxima de um terror psicológico, mesmo quando está apenas retratando reuniões de condomínio, conflitos entre moradores e os desafios da administração de um prédio gigantesco.
O resultado é uma sensação constante de tensão, como se aquele enorme edifício estivesse sempre à beira do colapso.
A grandiosidade e o peso do cotidiano
Clarice Wallauer, que também é moradora do prédio, utiliza sua proximidade com o ambiente para transmitir a dimensão do Copan e a complexidade de sua rotina.
Quando o documentário foca nos funcionários, na manutenção e no funcionamento interno do edifício, encontra seus melhores momentos. O filme revela uma verdadeira cidade vertical, que exige uma enorme estrutura para continuar funcionando diariamente.
Essa parte da obra consegue despertar fascínio e, ao mesmo tempo, certo desconforto diante da magnitude daquele espaço.
O Copan como retrato do Brasil
Um dos aspectos mais interessantes do documentário é a forma como utiliza o prédio como uma metáfora para o Brasil.
As entrevistas são conduzidas de maneira natural e permitem que diferentes visões de mundo convivam na tela. A divisão dos blocos, dos apartamentos e das áreas comuns acaba refletindo debates sociais, econômicos e políticos presentes no país.
Wallauer constrói uma alegoria interessante sobre convivência, desigualdade e pertencimento dentro de um único espaço.

Quando o debate perde profundidade
Por outro lado, o documentário encontra algumas dificuldades ao abordar temas políticos.
Em determinados momentos, as discussões acabam se limitando ao tradicional embate entre direita e esquerda, sem aprofundar verdadeiramente as questões apresentadas. Além disso, o ritmo da narrativa oscila bastante, dando a impressão de que o filme nem sempre sabe exatamente qual história deseja contar.
Essa falta de foco acaba prejudicando parte do impacto da obra.
Vale a pena assistir?
Copan é um dos documentários mais interessantes do ano. Mesmo com alguns problemas de ritmo e aprofundamento, o filme consegue transformar um simples prédio em um retrato fascinante das contradições da sociedade brasileira.
É uma obra que entretém, desperta curiosidade e faz o espectador querer conhecer mais sobre aquele gigantesco condomínio e as milhares de histórias que existem dentro dele.
Para quem gosta de documentários observacionais e de histórias sobre a vida urbana, Copan é uma experiência que vale cada minuto.
