Crítica: Charli XCX – Álbum: Music, Fashion, Film (2026)
O caos agora mudou de forma
Depois do fenômeno Brat
Depois de um álbum como Brat, que colocou Charli XCX definitivamente no radar de um público ainda maior e se tornou um dos grandes fenômenos da música recente, a cantora chega com Music, Fashion, Film, um projeto que tenta continuar o legado deixado pelo trabalho anterior.
Mas, ao invés de simplesmente repetir a fórmula que fez sucesso, Charli decide seguir outro caminho: ela transforma o caos em algo mais controlado, mais cinematográfico e ainda mais conectado com a sua própria visão artística.
Uma nova fase para Charli XCX
Após estrear como atriz em um projeto cinematográfico com O Morro dos Ventos Uivantes, dirigido por Emerald Fennell, Charli XCX chega com uma nova estética para esse álbum.
O visual em preto e branco já demonstra uma mudança de direção. Se Brat era colorido, explosivo e propositalmente desorganizado, Music, Fashion, Film parece mais calculado, como se a cantora estivesse analisando a própria carreira de fora.
Aqui, Charli não parece apenas querendo provocar ou causar impacto. Ela parece interessada em entender a própria imagem, a fama e a forma como a música funciona atualmente.
Uma artista entendendo o próprio universo
Um dos maiores acertos do álbum é perceber como Charli XCX entende seu público e a forma como ela enxerga a música.
A cantora cria um universo próprio dentro do disco, principalmente em faixas como Câmera, onde ela explora sua relação com videoclipes, cinema e a maneira como uma artista é transformada em uma imagem para o público.
O álbum funciona quase como uma reflexão sobre a própria indústria do entretenimento, sobre como a música, a moda e o cinema se misturam atualmente.
Charli não está apenas criando canções, mas construindo uma experiência.

Menos caos, mais profundidade
Diferente do álbum anterior, que apostava em uma energia mais caótica e experimental, Music, Fashion, Film escolhe outro caminho.
Ao invés de criar uma sensação de desordem, a cantora mistura todas as suas influências e cria uma crescente densidade sonora.
Cada música parece adicionar uma nova camada ao projeto, tanto na produção quanto nas letras.
É como se Charli estivesse mostrando que o caos também pode evoluir. Ele não precisa ser apenas barulho ou provocação; pode ser uma construção artística mais madura.
Cinema, fama e a velocidade da indústria
Em músicas como Yeah e SS26, Charli utiliza referências cinematográficas para falar sobre sua própria experiência após o sucesso de Brat.
O álbum reflete sobre como a fama pode acontecer de maneira extremamente rápida, sem que exista tempo suficiente para uma pessoa se preparar para tudo aquilo.
A cantora também traz referências a nomes como David Cronenberg, reforçando a ideia de um projeto que mistura música, cinema e uma visão mais estranha e desconfortável da cultura pop.
Ela parece questionar não apenas a fama, mas também a forma como artistas são consumidos e descartados pela indústria.
Conclusão
Music, Fashion, Film mostra uma nova fase de Charli XCX.
O álbum não tenta ser uma repetição de Brat e justamente por isso funciona tão bem. A cantora entende que não precisa entregar novamente o mesmo caos, porque agora ela pode transformar esse caos em algo mais complexo.
Com uma estética forte, uma produção cuidadosa e uma visão artística muito clara, Charli entrega uma das experiências musicais mais interessantes do ano.
No fim, Music, Fashion, Film prova que a cantora continua evoluindo e que, mesmo quando muda sua forma de fazer música, ela ainda consegue manter aquilo que sempre foi sua maior característica: a capacidade de surpreender.
