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Crítica: Cabo do Medo (1991)

Cabo do Medo

O thriller aterrorizante de Scorsese Entre os filmes da cinebiografia de Martin Scorsese nós temos Cabo do Medo, o filme que é um remake do filme de 1962 Círculo de Medo e que adapta o livro de John D. McDonald....

Sumário

O thriller aterrorizante de Scorsese

Entre os filmes da cinebiografia de Martin Scorsese nós temos Cabo do Medo, o filme que é um remake do filme de 1962 Círculo de Medo e que adapta o livro de John D. McDonald.

Sinopse:

Quando o advogado Sam Bowden retém provas que poderiam livrar o agressor sexual Max Cady das acusações de estupro, ele passa 14 anos na prisão. Ao ser liberto, Max, sabendo do que o advogado fez, se dedica a perseguir e destruir a família Bowden.

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Cabo do Medo sabe trabalhar algo que poucos conseguem hoje em dia, mas que Martin Scorsese consegue explorar muito bem nos anos 90: a sensação de medo e pavor, usando recursos como a câmera de baixo para cima e o contra-plongée, sem sabermos exatamente o que está acontecendo ali atrás.

Scorsese pega um filme que já era muito bom dos anos 60 e o reformula. A versão de 60 é aterrorizadora e lida com outros temas, mesmo que entrelaçados com essa versão sobre o que é certo e o que é errado. Aqui, o diretor tenta colocar ação e suspense lado a lado.

Robert De Niro entrega uma das melhores atuações da carreira. Ele consegue construir um psicopata que é diferente de Táxi Driver, mas ao mesmo tempo tem algumas características em comum. Sua presença em cena é aterrorizadora e sua dinâmica de gato e rato com Nick Nolte é muito interessante.

Nick Nolte talvez entregue uma das performances mais interessantes do filme. Suas dinâmicas com a família vivida por Jessica Lange e Juliette Lewis, principalmente Lewis, que tem uma relação maior com De Niro, colocam assuntos em debate, e a forma como a família é manipulada é interessante.

O roteiro é muito bem trabalhado, principalmente com o controle de Scorsese, que consegue trazer uma tensão crescente a cada cena. O primeiro e o segundo atos constroem uma tensão inimaginável, sempre preparando para o momento do embate, com personagens como o de Joe Don Baker, que acabam colocando fogo na fogueira.

Mas, mesmo assim, o filme acaba se perdendo no terceiro ato, se tornando apelativo, com cenas desconfortáveis, e parece que o diretor joga todas as suas nuances no lixo, ficando apenas com o óbvio e perdendo tudo que vinha sendo construído.

Cabo do Medo é talvez um dos melhores remakes já feitos, um produto que respeita o original e entrega uma nova versão tão boa quanto e, em alguns momentos, consegue até superar a versão original, que já era acima da média.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

Apaixonada por cultura pop, teatro e musicais. Fã de Wicked, da Supergirl e de histórias inspiradoras, encontrei nos palcos e nas telas minha maior fonte de entretenimento. Corinthiana de coração, valorizo a emoção das grandes apresentações, seja em um espetáculo musical ou em uma partida de futebol.

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