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Assalto à Brasileira (2026)

Divertido, tenso e cômico, um recorte do Brasil do fim dos anos 80...

Sumário

Um dos subgêneros do cinema de ação/suspense/policial são aqueles cujas narrativas versam sobre assaltos a bancos: Em geral, são compostos do planejamento do ataque, a caracterização psicológica dos personagens, com as várias matizes de personalidades dos membros da quadrilha que irão executar o plano, a ação propriamente dita e as consequências daquele ato.

Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon, 1975, direção Sidney Lumet, Estados Unidos) é uma das grandes referências neste tipo de obra, mas tantos são os filmes que seguem esta cartilha, que fica difícil fazer uma lista. Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992, direção Quentin Tarantino, Estados Unidos) também é um referencial, embora não se passe num banco, mas na dinâmica da elaboração do plano e na especificidade da particularidade de cada um daqueles ladrões.

Assalto à Brasileira (2026, direção José Eduardo Belmonte, Brasil) é herdeiro desta tradição, e traz em si todos os elementos do gênero. Ao retratar um fato verídico, ocorrido em 17 de dezembro de 1987, o assalto à agência do BANESTADO na cidade de Londrina, Paraná, o filme faz uso eficiente e magnífico dos clichês deste tipo de cinematografia. Aqui estão os diferentes tipos de assaltantes, caracterizados nos três principais que compõem a quadrilha: o cara legal, humanista, idealista e politicamente consciente, o líder Moreno (Christian Medeiros); o assaltante mais sério e violento, Barba (Robson Nunes); e William (Fernando Mais), um dos mais jovens e inexperientes da equipe e por ilustrar o despreparo e nervosismo. O restante do grupo, um tanto coadjuvante, traz em si elementos similares a estes, constituindo um amálgama de características, como o silencioso, cumpridor de ordens.

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A narrativa é conduzida a partir do jornalista Paulo (Murilo Benício, sempre excelente!), que estava na agência no momento em que a quadrilha chega, e tornou-se ele próprio refém no assalto O personagem tem um papel crucial na trama.

O elenco conta ainda com o ex-titã Paulo Miklos (ótimo!) no papel do policial Fonseca e no núcleo de clientes e funcionários do banco, coadjuvantes em excelentes atuações, em especial Hugo Possolo como Fúlvio, o covarde e medroso gerente do banco.

Abordando também a ética jornalística, e ecoando o pensamento do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, que certa vez disse que é mais criminoso criar um banco que assaltar um, com uma caprichosa direção de arte e figurinos, que reconstituem fielmente os anos 80, uma fotografia granulada e de textura analógica, remetendo às antigas películas de 35 mm e fitas VHS, uma paleta de cores quentes e saturadas, um contraste entre o ambiente interno da agência, claustrofóbico e de sombras, e o externo, que se aproxima da estética das coberturas jornalísticas e filtros de luz de época e brilho difuso, buscando as formas como as imagens eram transmitidas naquela época, inclusive com imagens de arquivo, e uma trilha sonora “cool” do cenário do Rock Brasil 80, Assalto à Brasileira é um filme acima da média, técnica e narrativamente.

Divertido, tenso e com momentos cômicos, a obra leva a plateia, os mais novos e os veteranos que viveram aqueles anos, à conturbação econômica e política de um Brasil ainda sobre os rescaldos da recém-terminada ditadura militar (1964-1985) e ensaiando seus primeiros passos democráticos, sob a convulsão de intermináveis e insolúveis crises econômicas. 

Não deixe de ver!

Nota 8/10

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Marcio Souza
Sobre o autor Marcio Souza

Cinéfilo, antes de tudo! Fã de quadrinhos das antigas, amante das letras, psicólogo, bacharel em cinema e áudio visual, crítico de cinema, roteirista, ator, etc. Sou tantas coisas, mas nada me cabe, ou define.

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