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A Morte de Robin Hood

Por que mais uma adaptação de Robin Hood? Depois de tantas versões, parece que já conhecemos todas as possibilidades para o personagem. Mas talvez seja justamente por isso que Michael Sarnoski tenha encontrado uma maneira interessante de voltar a ele....

Sumário

Por que mais uma adaptação de Robin Hood? Depois de tantas versões, parece que já conhecemos todas as possibilidades para o personagem. Mas talvez seja justamente por isso que Michael Sarnoski tenha encontrado uma maneira interessante de voltar a ele. Em A Morte de Robin Hood, o diretor não está interessado em repetir a aventura do homem que roubava dos ricos para dar aos pobres. Ele prefere tirar aquilo que conhecemos sobre a lenda e descobrir o que vem depois.

O Robin Hood de Hugh Jackman está longe da figura heróica que o cinema ajudou a construir. É um homem envelhecido e cansado, marcado por uma vida de violência que o filme faz questão de mostrar. A escolha é crua desde os primeiros minutos, proposital e ajuda a estabelecer que este não será um filme como os outros de Robin Hood, mas sobre as consequências dos atos de uma pessoa.

É impossível não pensar em Logan ao acompanhar Jackman. Não apenas pela aparência de um personagem envelhecido e fisicamente destruído, mas pela maneira como o ator trabalha novamente a imagem de um personagem que já não se reconhece nela. Existe uma melancolia parecida, embora seja, e estejam em momentos diferentes. Logan ainda encontra uma razão para seguir em frente; Robin parece não querer entender o que fazer com aquilo que restou de sua vida.

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Sarnoski também traz para o filme algumas escolhas que já ajudavam a construir a identidade de Pig. Não é uma comparação pela história, mas pela forma de filmar. A câmera observa, os ambientes têm importância na construção da atmosfera e existe uma preocupação em deixar a natureza e a luz participarem da narrativa. Filmado em 35 mm e em locações naturais na Irlanda do Norte, A Morte de Robin Hood mantém essa aparência mais orgânica..

A primeira metade é bastante violenta e física, vale mencionar Bill Skarsgard em mais atuação completamente diferente das suas anteriores. Enquanto a segunda desacelera consideravelmente para acompanhar o conflito interno de Robin. Para alguns espectadores que querem ver mais sobre o personagem costumeiro, essa mudança pode fazer a narrativa perder força e se tornar excessivamente contemplativa. Aqui vale destacar a atuação de Jodie Comer introspectiva e dona de cada uma de suas cenas.

Sarnoski deixa de lado o arqueiro, o fora da lei e o herói para chegar a alguém muito mais complexo e quer coisa mais humana que a complexidade.

Talvez essa seja a melhor justificativa para contar novamente uma história que já conhecemos. A Morte de Robin Hood não apresenta a lenda, já sabemos de sua existência. Tenta entender o homem que a lenda carrega como se fosse uma flecha. 

Por estes pontos mencionados no texto e outros tantos é um filme 7/10.

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Claudio Rosa
Sobre o autor Claudio Rosa

Uma pessoa que pensa através do cinema. Curte bastante os filmes dos anos 90, acredita que cada obra carrega algo sobre quem somos, nossas memórias, contradições o que nos torna humanos. Porque o cinema não apenas conta histórias: ele nos conecta. Fundador do projeto IntoMyCinema, colabora no Spanglish Cinema, escreve sobre a experiência que o cinema proporciona.

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