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A força de thrillers protagonizados por mulheres em Fúria

Fúria

O mundo das séries foi chacoalhado por Fúria, o novo lançamento do Hulu no Disney+. A trama narra uma intensa caçada a uma serial killer, oferecendo uma análise profunda tanto da criminosa quanto da agente do FBI em seu encalço. A produção...

Sumário

O mundo das séries foi chacoalhado por Fúria, o novo lançamento do Hulu no Disney+. A trama narra uma intensa caçada a uma serial killer, oferecendo uma análise profunda tanto da criminosa quanto da agente do FBI em seu encalço. A produção já se tornou um exemplo de uma guinada no thriller, gênero que nos últimos anos passou a trazer cada vez mais mulheres como protagonistas de suas histórias.

Fúria acompanha Alice Black (Emmy Rossum), agente federal encarregada de investigar um assassinato misterioso. Conforme avança no caso, ela entra em uma busca por Catherine (Lola Petticrew), uma assassina em série que a faz confrontar o próprio passado em uma jornada tensa, que borra as linhas entre os conceitos de justiça e vingança.

A série tem como criadora e produtora executiva Elizabeth Meriwether, conhecida por séries de sucesso como New GirlMorrendo por Sexo e The Dropout. Livremente inspirada no filme O Mistério da Viúva Negra (1987), a produção nasceu com a missão de honrar as características que tornam esse gênero tão popular enquanto busca perspectivas e questionamentos que desafiam seus clichês.

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Em entrevista à EW, Meriwether afirmou que seu principal objetivo com Fúriaé fazer com que “as pessoas fiquem na ponta da cadeira. Quero que fiquem constantemente surpresos e desconfortáveis de uma maneira divertida e interessante”. Para isso, ela desenvolveu a trama com base na curiosidade sobre o funcionamento da mente de uma serial killer, algo que guiou tanto ela quanto Emmy Rossum, atriz e produtora da série, nos estágios iniciais.

Conforme florescia, o projeto passou a focar em outro elemento muito querido por qualquer fã de um bom suspense: o retrato de personagens complexas. Em meio a um sangrento jogo de gata e rata, a trama examina o caráter e a motivação dessas duas mulheres, que lidam com um passado marcado por violência. Dessa forma, o suspense traz tons de cinza à dicotomia entre assassina e investigadora, que se tornam faces da mesma moeda.

Fúria é fortemente inspirada pela forma como mulheres vítimas de violência são tratadas pelo sistema no mundo real. Após ter contato com casos verídicos, Liz Meriwether decidiu fugir de um caminho óbvio para suas personagens:

O que eu queria mesmo era mostrar as várias formas que a violência pode afetar a vida de uma mulher e tentar tirar essa cobrança de ‘vítima perfeita’. O sistema de justiça exige isso de muitas mulheres: que elas contem uma história e mostrem um lado que seja 100% inocente o tempo todo – e, às vezes, nem isso funciona. A ideia era complicar essa visão e mostrar que mulheres que passaram por violência não viram necessariamente ‘boas vítimas’”, explicou a criadora e roteirista à Vulture.

Durante o processo, Meriwether e a produtora e protagonista Emmy Rossum consultaram agentes femininas do FBI, da polícia e promotores públicos. Essa rica experiência trouxe uma perspectiva realista de pessoas que trabalham dentro do sistema e as ajudou a entender mais sobre um fenômeno tão raro quanto o de uma serial killer feminina. Assim, Fúriacria uma teia baseada em questões reais e relevantes, dando à produção uma camada extra de urgência.

Todo o cuidado envolvido na produção de Fúria reflete o crescimento do apetite do público de séries por suspense. Adorado desde a literatura, o gênero passou a crescer como nunca na TV e no streaming, sendo a base de sucessos inesperados que se tornaram fenômenos de audiência e crítica. Não por acaso, a vertente atinge esse auge no momento em que se volta suas atenções a histórias protagonizadas e contadas por mulheres.

É o caso de adaptações de distopias literárias, como The Handmaid’s Tale e sua continuação, Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, de true crimes, como Não Diga Nada, do FX – protagonizada por Lola Petticrew, a serial killer de Fúria –, e até mesmo de super-heróis, como Jessica Jones, da Marvel Studios. O fenômeno é tão potente que inclui títulos internacionais, como os k-dramas Terra do Ouro Uma Loja Para Assassinos, e brasileiras, como Vidas Bandidas.

A força feminina tem aparecido também por trás das câmeras. Um estudo da San Diego State University divulgado pelo The New York Times revelou que o número de seriados criados por mulheres nos streamings chegou a 36% entre agosto e junho, período em que 32% de todas as produções tiveram ao menos uma diretora por temporada.

Esse momento que não passou batido pelas próprias cineastas. Nicole Kassel, diretora vencedora do Emmy Awards conhecida por títulos como The Americans, afirma que quando começou, costumava ser a única diretora mulher durante a temporada de uma série de TV. “Esse raramente é o caso agora. Produtores e roteiristas estão se esforçando mais em se certificar de que pessoas de diferentes gêneros e etnias estão por trás das câmeras”, refletiu à Columbia Magazine.

Nos últimos anos, a busca por novas perspectivas mais do que compensou para o gênero thriller, que sempre foi um terreno fértil para histórias fascinantes e surpreendentes. Esse bom momento do suspense na TV e no streaming, especialmente os criados e estrelados por mulheres, explica a antecipação ao lançamento de um título inédito como Fúria. Munida de inspirações diversas e um time talentoso, a produção promete atender a essa expectativa e cumprir a missão da própria criadora de nos manter na ponta da cadeira. 

Fúria já está disponível no Disney+ com seus seis primeiros episódios, e novos episódios chegam semanalmente às segundas-feiras.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

Apaixonada por cultura pop, teatro e musicais. Fã de Wicked, da Supergirl e de histórias inspiradoras, encontrei nos palcos e nas telas minha maior fonte de entretenimento. Corinthiana de coração, valorizo a emoção das grandes apresentações, seja em um espetáculo musical ou em uma partida de futebol.

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