Apesar do título, o filme é uma verdadeira manifestação de cores e ilustrações que encharcam os olhos do espectador com traços únicos.
Partindo do conceito que o filme é bem artesanal e que por si só carrega uma história considerada clássica, a animação apresenta muito da alma do nordeste brasileiro, com uma trilha sonora encantadora, personagens caricatos e uma paleta marcada por cores vibrantes e quentes.
O glamour da obra está nos detalhes e na miscigenação de histórias (mesmo tendo em foco apenas a trama do personagem principal), com uma “sacada“ de argumento que foi erroneamente substituída por ousadia, algo nada esperado uma vez que, o título carrega uma semântica tão impactante.
As ferramentas e as particularidades do longa valorizam bastante as propostas que apresenta ao público, extraindo, dessa forma, o puro suco de identificação e encanto, fazendo com que o termo “isso é brasil“ e a “jornada do herói“ não se tornem linguagens tão explícitas, tendo em base o protagonista comum.
Dessa forma, os elementos abrasileirados que compõem o filme, possuem um significado tão forte quanto o roteiro: os desenhos de cordel, o calor sertanejo, a música e o linguajar.
Constantemente grosseiro, Ismael, o protagonista ambicioso, reforça a partir de ações o interesse dos roteiristas de construir um drama a ser questionado pelo próprio, o que acaba fazendo jus ao trocadilho “O filho da puta“.
Portanto, a sequência final conclui bem o enredo, pois retrata os principais temas abordados como: o abandono, o egoísmo e, os conflitos familiares e internos dos personagens.
Segue nota: 🌶️8/10
