Um dos filmes mais fofos da 50.ª Mostra de SP, “Rochas Vermelhas” conta de maneira peculiar relações entre amizade, amor e perigos da vida na perspectiva das crianças; o longa encontra profundidade nas descobertas e nos conflitos que marcam a infância.
Na trama, na Riviera Francesa, dois grupos de crianças disputam um perigoso jogo de saltar de penhascos. Em meio à luminosa paisagem do Mediterrâneo, Géo, de apenas cinco anos, descobre ao longo de um verão um universo em que amizade e rivalidade se confundem, ao mesmo tempo em que surgem os primeiros sentimentos amorosos.
Quando somos crianças, estamos em busca constante de conhecimento e de viver cada experiência uma de cada vez. O diretor Bruno Dumont tenta trazer essa mensagem da inocência infantil de maneira diferente em “Rochas Vermelhas” em trazer de forma diferente ver este relacionamentos.
Na primeira cena, a câmera mostra nosso protagonista, um menino albino chamado Géo (Kaylon Lancel), acompanhando sua ansiedade em brincar em formações rochosas à beira-mar, onde eles pulam em saltos arriscados. A câmara é usada para filmar em lente grande angular, em que todos os atores mirins estão extremamente próximos da câmera. O diretor quer mostrar como esse visual é íntimo deles nessa jornada.

O núcleo da gangue infantil Géo, e mais carismáticos, acompanha esse relacionamento de amizade deles. É perceptível que eles têm um bom tempo e estão unidos, dependendo da situação que torna a experiência agradável. Dá para sentir tudo; a equipe se divertiu fazendo as cenas. Esse entrosamento entre o elenco é primordial para nos aproximarmos da história.
O longa se arrisca a trazer esses sentimentos que temos na infância, com Géo apaixonado por Eve (Kelsie Verdeilles), mas ele namora com B (Alessandro Piquera), trazendo situações engraçadas. Com essa inocência, pode afastar esse relacionamento entre ambos. Um bom exemplo: quando Géo ataca B com pedra, o suspense nessa cena é quebrado com alívio cômico, porque são crianças fazendo isso.
Esse filme não tem um arco de progressão narrativa convencional; a obra usa muito a questão de estarmos observando essas crianças livres, pois parece que os adultos não estão presentes. Não há um desenvolvimento de personagens que caminham do ponto A para B; eles seguem sendo eles, mas entendemos que esses momentos de alguma forma vão trazer aprendizado.
Rochas Vermelhas, e fofo por fazer crianças de 5 anos em uma experiência descobrir o mundo, com fotografia competente pela escala do projeto e com elenco infantil que capta a energia do projeto, e o longa transformar as brincadeiras, as rivalidades e os primeiros sentimentos em uma reflexão sobre o aprendizado que acompanha a infância.
