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Crítica: Ray Gunn (2026)

Ray Gunn

Meu nome é Ray, Ray Gunn Entre os filmes exibidos durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está Ray Gunn, a nova animação de Brad Bird, que nos apresenta a um universo retrofuturista e acompanha um detetive...

Sumário

Meu nome é Ray, Ray Gunn

Entre os filmes exibidos durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está Ray Gunn, a nova animação de Brad Bird, que nos apresenta a um universo retrofuturista e acompanha um detetive particular envolvido em um caso que mistura assassinato, alienígenas e uma estrela multimídia bastante problemática. Com uma proposta que combina ficção científica, espionagem, humor e elementos do cinema noir, o longa entrega uma das experiências mais divertidas da Mostra.

Sinopse

Em Metropia, uma cidade gigantesca em um futuro alternativo visto a partir de 1939, o detetive particular Raymond Gunn é arrastado para um caso envolvendo alienígenas, assassinato e uma estrela multimídia chamada Venus Nova.

Brad Bird revisita o futuro retrofuturista

Em seu novo filme, Brad Bird traz uma perspectiva bastante convidativa sobre o retrofuturismo, construindo um universo que parece misturar o imaginário tecnológico de décadas passadas com o estilo visual de diferentes animações que exploram essa estética.

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Metropia é um dos grandes atrativos de Ray Gunn. A cidade apresenta uma visão de futuro que parece ter saído diretamente da imaginação de alguém que viveu nos anos 1930 e 1960, combinando elementos dessas épocas com uma sociedade que possui suas próprias tecnologias, celebridades e problemas.

É um mundo que funciona muito bem dentro da proposta do longa, principalmente porque não depende apenas de sua aparência para conquistar o espectador. A ambientação também ajuda a estabelecer o clima de mistério e investigação, criando o cenário ideal para uma história que bebe diretamente da fonte dos filmes de espionagem e do cinema noir.

Brad Bird aproveita diversos clichês desses gêneros, especialmente as reviravoltas, os personagens misteriosos e as situações em que nem tudo é exatamente o que parece. Embora algumas dessas escolhas sejam previsíveis, o filme sabe brincar com suas referências e transforma elementos conhecidos em parte de uma aventura bastante divertida.

A sensação é a de acompanhar uma investigação policial clássica transportada para um futuro alternativo, no qual alienígenas, celebridades e conspirações fazem parte do cotidiano.

Raymond Gunn e Eyera: uma dupla cheia de carisma

Um dos grandes acertos de Ray Gunn está em seu protagonista, Raymond Gunn, que recebe a voz de Sam Rockwell, e em seu parceiro alienígena Eyera, dublado por Tom Waits.

Os dois são puro carisma! É muito divertido acompanhar a maneira como os personagens interagem, principalmente nas cenas de humor e nos momentos em que precisam trabalhar juntos para avançar na investigação.

A parceria funciona porque existe uma relação de cumplicidade entre eles. Mesmo com suas diferenças, os dois demonstram gostar um do outro e estão dispostos a se proteger quando as coisas ficam complicadas. Essa dinâmica dá ao filme uma camada emocional que vai além do mistério central e faz com que seja fácil torcer pela dupla.

Sam Rockwell combina muito bem com a personalidade de Raymond Gunn, enquanto Tom Waits contribui para tornar Eyera uma presença bastante particular. A interação entre os dois ajuda a sustentar o ritmo da aventura e oferece alguns dos momentos mais engraçados da produção.

Em uma história repleta de referências a filmes policiais e de espionagem, essa relação é fundamental para que Ray Gunn não se torne apenas um exercício de estilo. Existe uma amizade no centro da narrativa, e acompanhar como ela se desenvolve é uma das melhores partes do longa.

Scarlett Johansson rouba a cena como Venus Nova

<text>Se Raymond Gunn e Eyera já são uma dupla bastante divertida, o grande destaque do filme, sem dúvidas, é Venus Nova, que recebe a voz de Scarlett Johansson.</text>

A personagem possui o carisma natural de uma grande estrela. Sua voz transmite sensualidade, confiança e aquele magnetismo de alguém que sabe muito bem como chamar a atenção. Mesmo quando Venus está envolvida em situações misteriosas, ela consegue dominar a cena e despertar a curiosidade do espectador.

Os acontecimentos e as reviravoltas envolvendo a personagem podem ser previsíveis em alguns momentos, mas isso não impede que funcionem. Venus tem uma presença tão forte que o filme consegue transformar situações familiares ao gênero em momentos envolventes.

Sua química com Raymond também é um dos pontos altos da animação. A interação entre os dois acrescenta uma camada de tensão e humor à investigação, tornando a relação um dos elementos mais interessantes da narrativa.

É justamente nesse equilíbrio entre mistério, personalidade e entretenimento que Ray Gunn encontra parte de sua força. Venus Nova poderia facilmente ser apenas mais uma figura misteriosa dentro de uma trama de espionagem, mas o carisma da personagem faz com que ela se torne uma das presenças mais marcantes do filme.

Entre o cinema noir e as críticas à sociedade

Ray Gunn é uma grande mistura de filmes de espionagem dos anos 1960 com o estilo noir de uma investigação policial. Quando a narrativa se concentra no caso que Raymond precisa resolver, o longa se torna extremamente interessante.

A investigação é o elemento que melhor conecta seus personagens, sua ambientação retrofuturista e as reviravoltas. Existe um prazer em acompanhar as pistas, observar as relações entre os envolvidos e descobrir como os diferentes elementos do caso se encaixam.

O problema aparece quando o filme tenta ampliar sua discussão para fazer críticas à sociedade. Essas ideias acabam surgindo de maneira um tanto deslocada, sem se integrar tão bem ao restante da história.

Não é que a animação não possa abordar questões sociais. Pelo contrário, o próprio universo criado por Brad Bird oferece inúmeras possibilidades para discutir a relação entre tecnologia, mídia, fama e comportamento coletivo. A dificuldade está na forma como essas críticas são inseridas na narrativa, parecendo, em determinados momentos, ideias que foram acrescentadas sem o mesmo cuidado dedicado à investigação.

Com isso, o filme perde um pouco de sua fluidez quando abandona o mistério para abordar essas questões. São momentos em que a história parece se afastar daquilo que faz de melhor, interrompendo uma aventura que funciona muito bem quando mantém o foco em seus personagens e no caso central.

Ainda assim, esse problema não chega a comprometer a experiência como um todo. A investigação continua sendo envolvente, e a combinação de espionagem, humor e ficção científica garante que a narrativa tenha bastante personalidade.

Uma animação que poderia ir além visualmente

Apesar de contar com um universo visual interessante, a animação de Ray Gunn não chega a ser inovadora. O estilo lembra bastante o de outras produções contemporâneas, especialmente algumas animações da DreamWorks anteriores a Gato de Botas 2: O Último Pedido.

Isso não significa que o visual seja ruim. A ambientação de Metropia continua sendo um dos aspectos mais convidativos do longa, e a estética retrofuturista combina perfeitamente com a proposta narrativa. Entretanto, considerando a identidade tão particular do universo criado por Brad Bird, seria interessante ver a animação apostar em soluções visuais mais ousadas.

O mesmo vale para as cenas de ação, que não chegam a apresentar grandes surpresas. Elas cumprem sua função dentro da aventura, mas não se destacam tanto quanto os diálogos, a investigação e as interações entre os personagens.

É uma pena que o filme não explore todo o potencial visual de sua proposta, especialmente porque a combinação de um futuro alternativo com elementos clássicos do cinema noir poderia render sequências muito mais inventivas.

Por outro lado, o longa não depende exclusivamente de grandes cenas de ação ou de uma animação revolucionária para funcionar. Seu maior atrativo está na construção do universo, no carisma do elenco de vozes e na maneira como Brad Bird mistura diferentes gêneros.

Conclusão: uma das animações mais divertidas do ano

Ray Gunn é um filme extremamente divertido, que mistura investigação policial, espionagem, ficção científica, humor e um futuro retrofuturista para criar uma experiência envolvente ao longo de suas duas horas de duração.

Embora algumas críticas sociais pareçam deslocadas e a animação não apresente grandes inovações visuais, o longa acerta ao construir um universo próprio e apostar em personagens carismáticos. Raymond Gunn e Eyera formam uma dupla excelente, enquanto Venus Nova, com a voz de Scarlett Johansson, rouba a cena e apresenta uma das relações mais interessantes da história.

O filme também consegue prestar uma homenagem aos clássicos da espionagem e do cinema noir sem deixar de construir sua própria identidade. Entre as reviravoltas, as situações cômicas e até os momentos musicais, Brad Bird encontra diferentes maneiras de manter a aventura interessante.

No fim, Ray Gunn é uma das melhores animações do ano e uma das experiências mais divertidas da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. É uma produção que sabe homenagear suas referências, criar um universo próprio e entregar momentos muito bons, mesmo quando nem todas as suas ideias funcionam com a mesma força.

Meu nome é Ray, Ray Gunn e, depois dessa aventura, fica difícil não querer acompanhar mais um caso desse detetive.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

Apaixonada por cultura pop, teatro e musicais. Fã de Wicked, da Supergirl e de histórias inspiradoras, encontrei nos palcos e nas telas minha maior fonte de entretenimento. Corinthiana de coração, valorizo a emoção das grandes apresentações, seja em um espetáculo musical ou em uma partida de futebol.

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