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Os Trapaceiros de Garibaldi (estreia em 17/09/26)

Mistura de comédia e drama de guerra derrapa em alguns aspectos, e, assim como água e óleo, resulta em algo irregular ....

Sumário

O cinema italiano é marcado pela sua relevância e grandeza na história mundial da Sétima Arte. Berço de diretores gigantes como Fellini, Bertolucci, Sergio Leone, De Sica, Rossellini e Pasolini, por exemplo, o país tem uma filmografia que abrange gêneros dos mais diversos, servindo de norteadores para múltiplas referências cinematográficas.

Roberto Andò é, então, herdeiro dessa gloriosa tradição italiana, tendo trabalhado, inclusive, como assistente de direção de Fellini, Rosi (outro importante nome deste cinema) e Coppola, em Hollywood.

Com uma vasta e consolidada filmografia de sucesso internacional, como “Viva a Liberdade” (2013), “As Confissões” (2016) e “A Estranha Comédia da Vida” (2022), Andò nos entrega agora “Os Trapaceiros de Garibaldi” (2025), um misto de comédia e drama de guerra.

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O roteiro trata dos eventos históricos que marcaram a reunificação da Itália. Passado em 1860, foca na chamada Expedição dos Mil, campanha militar comandada pelo general Giuseppe Garibaldi (Tommaso Ragno) para recuperar a região da Sicília, sob o domínio dos Bourbons.

Nesse contexto, o filme centra suas atenções em dois desertores da tropa comandada pelo Coronel Vincenzo Giordano Orsini (Toni Servillo). O camponês siciliano Domenico Tricó (Salvatore Ficarra) e o ilusionista de palco e trapaceiro profissional Rosario Spitale (Valentino Picone), que se voluntariaram nas tropas apenas para se aproveitarem da “carona” no navio para a Sicília. Um deseja voltar à terra natal; o outro quer fugir dos problemas em razão dos golpes que aplica no carteado.

Ficarra e Picone formam uma dupla de humoristas de carreira destacada na Itália e fora dela. Entre seus trabalhos mais relevantes no cinema e na televisão estão a aclamada série de comédia policial da Netflix “Que Cilada!” (Incastrati), o sucesso de bilheteria “L’ora legale” (2017), a comédia natalina “Il primo Natale” (2019), além do clássico programa de esquetes televisivos “Zelig”, que os consagrou no humor italiano.

Temos aqui uma bela reconstituição histórica, direção de arte e figurinos de primeira qualidade, virtuosa movimentação de câmeras e elaborados enquadramentos; mas o filme peca por tentar misturar água e óleo ou, dito de outra forma, drama e comédia. Sempre que Tricó e Spitale estão em cena, a carga cômica do filme é acionada, mas nunca em todo o seu potencial humorístico. Quando as câmeras estão voltadas para o Coronel Orsini e sua campanha militar, a película ganha uma densidade dramática típica dos filmes de guerra

Essa dinâmica e ambiguidade não ajudam o conjunto. Por fim, não temos nem uma obra que aproveite a boa química da dupla de humoristas, nem uma reconstituição histórica e dramática de um episódio fundamental da história italiana. Fica a impressão de uma geringonça mal ajustada, mal amarrada. Um quebra-cabeça em que as peças não se encaixam.

Nota: 6

Texto feito com a colaboração de @nexusgeek_

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Marcio Souza
Sobre o autor Marcio Souza

Cinéfilo, antes de tudo! Fã de quadrinhos das antigas, amante das letras, psicólogo, bacharel em cinema e áudio visual, crítico de cinema, roteirista, ator, etc. Sou tantas coisas, mas nada me cabe, ou define.

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