O retorno dos irmãos Gallagher
Entre os lançamentos de 2026 está Oasis: Don’t Look Back in Anger, documentário que acompanha o retorno de uma das bandas mais importantes do britpop, mostrando a reunião dos irmãos Liam e Noel Gallagher após anos de conflitos e uma separação que parecia definitiva.
Sinopse: Dirigido por Steven Knight, o documentário Oasis: Don’t Look Back in Anger acompanha a turnê de reunião dos irmãos Gallagher, chamada Oasis Live ‘25, considerada por muitos um dos maiores eventos musicais de 2025. Com cenas inéditas dos ensaios, bastidores e entrevistas dos irmãos juntos após mais de duas décadas, o longa também apresenta imagens dos shows e mostra o impacto emocional que o Oasis continua tendo em diferentes gerações.
Steven Knight sabe exatamente para quem esse documentário é feito. Ele não é necessariamente uma porta de entrada para quem nunca teve contato com a banda, mas sim uma celebração para os fãs que aguardaram durante anos o retorno do Oasis depois de uma separação marcada por brigas, declarações polêmicas e o afastamento entre Liam e Noel Gallagher.
Para quem, como eu, não conhece profundamente a banda e tem apenas contato com algumas músicas, o documentário acaba deixando algumas questões mais superficiais. A separação dos irmãos, os motivos que levaram ao fim do grupo e principalmente a relação entre Liam e Noel são explorados de maneira mais rápida, sem um aprofundamento maior sobre toda a história por trás desses acontecimentos.
A força da relação entre Liam e Noel Gallagher
Dois lados da mesma história
Mesmo com algumas limitações, um dos maiores acertos do documentário está justamente em colocar os dois irmãos novamente frente a frente.
As entrevistas com Liam e Noel são alguns dos momentos mais interessantes da produção, principalmente porque o público consegue perceber diferentes perspectivas sobre a história da banda. Cada um apresenta sua própria visão sobre o passado, sobre os conflitos e sobre o significado do retorno.
O documentário não tenta transformar nenhum dos dois em herói ou vilão. Ele entende que a história do Oasis sempre foi construída justamente por essa tensão entre personalidades tão diferentes, que ao mesmo tempo foram responsáveis por criar algumas das músicas mais marcantes de uma geração.
A química entre os irmãos continua sendo um dos elementos mais curiosos da banda, principalmente porque existe uma mistura de rivalidade, respeito e uma conexão artística que, mesmo depois de tantos anos, continua evidente.
A música como conexão entre gerações
O impacto do Oasis nos fãs
Um dos pontos mais emocionantes do documentário está nas entrevistas com os fãs.
Para mim, esses momentos acabam sendo até mais impactantes do que algumas partes focadas nos próprios integrantes da banda. O filme mostra como o Oasis deixou de ser apenas um grupo musical e passou a representar momentos importantes na vida de diversas pessoas.
Um dos relatos mais fortes acontece quando o documentário retorna para Manchester em 2017 e acompanha a história de uma fã sobrevivente do atentado ocorrido na cidade. A forma como a banda, sendo um símbolo de Manchester, se conecta com as vítimas e com a comunidade mostra como a música pode representar união e resistência em momentos difíceis.
A relação entre os fãs e o Oasis fica ainda mais evidente quando o documentário mostra como os shows de 2017 e a turnê de 2025 conseguiram reunir diferentes gerações em torno das mesmas músicas.

O perdão como tema principal
Mais do que apenas um registro de uma turnê, Oasis: Don’t Look Back in Anger fala sobre perdão.
O documentário mostra como, mesmo depois de anos de conflitos, algumas conexões permanecem. A música consegue ultrapassar brigas, diferenças pessoais e o tempo, criando uma ligação que continua existindo entre artistas e público.
O título do documentário não poderia ser mais simbólico. A ideia de não olhar para trás com raiva representa justamente essa tentativa de seguir em frente, deixando parte dos conflitos no passado para valorizar aquilo que ainda permanece.
É uma mensagem simples, mas que funciona muito bem dentro da proposta do filme.
Um retorno emocionante para os fãs
Tecnicamente, Oasis: Don’t Look Back in Anger é um documentário muito bem produzido. As cenas dos shows são um dos maiores destaques, principalmente pela forma como Steven Knight consegue capturar a energia da banda no palco e a emoção dos fãs acompanhando aquele momento histórico.
O filme entende que o retorno do Oasis não é apenas sobre uma banda voltando a tocar junta, mas sobre o significado que essas músicas possuem para milhões de pessoas.
No fim, Oasis: Don’t Look Back in Anger é um bom retorno para a banda. Talvez não seja o documentário definitivo sobre os irmãos Gallagher e poderia aprofundar mais alguns aspectos da história do grupo, mas entrega uma experiência emocionante e nostálgica.
Para quem é fã do Oasis, acompanhou a turnê ou simplesmente quer sentir a energia desse reencontro nas telas, o documentário vale a pena. É uma celebração da música, da memória e da capacidade que uma canção tem de unir pessoas mesmo depois de tantos anos.
