Embora não tenha, ao menos no Brasil, a potência, em termos de recepção e mercado, do cinema hollywoodiano, ou mesmo de outras partes da Europa, como França e Inglaterra; ou de países como a Coreia do Sul e o Irã, o cinema russo tem uma tradição antiga, desde a época da antiga URSS.
Foram os soviéticos que nos entregaram obras-primas da cinematografia, como O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein, e Um Homem com uma Câmera (1929), de Dziga Vertov. São obras que compõem a própria história do cinema, e servem como referências de montagem, narrativa, ângulos e enquadramentos.

O diretor russo Nikolay Lebedev vem então de uma tradição antiga de grandes cineastas. Embora majoritariamente circunscrito ao mercado interno de seu (extenso) país, e de grande sucesso por lá, seus filmes, vez por outra, chegam por essas bandas, porque trazem, também, características de blockbusters americanos de filmes de ação, suspense e dramas, como Voo de Emergência (2016) — um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema na Rússia — e Trilha Sonora da Paixão, por exemplo.
Chegando ao serviço de streaming Adrenalina Pura, temos agora “Kraken – Terror no Mar” (Rússia, 2025). Em linhas gerais, a trama, que se passa durante a Guerra Fria, trata da missão de resgate de um submarino russo que desapareceu no Mar da Groenlândia durante uma missão ultrassecreta. A marinha russa então designa o Comandante Viktor Voronin (Alexander Petrov) para chefiar um outro submarino que vai em busca do desaparecido. Evidente que nesta missão nossos heróis irão se deparar com o tal Kraken, mitológica criatura que habita os mares nórdicos, e que ataca navios, submarinos, estações de pesquisa e qualquer coisa que por ali apareça, e que tem ligação com o sumiço do primeiro submersível, cujo comandante é irmão de Voronin.

Com mais de duas horas de duração, uma fotografia bastante interessante (apesar de escura), principalmente nas sequências no fundo do mar, que remetem a James Cameron e seu “O Segredo do Abismo” (EUA, 1989); e filmado em grande parte dentro de um submarino real, o que reforça a sensação de claustrofobia e aperto, em enquadramentos fechados; o filme, apesar dessas qualidades, traz alguns males.
Lento, abusando de uma trilha sonora exagerada (que quase sempre sobe o tom), com um roteiro cheio de clichês do suspense, drama familiar e até romântico. Um monstro que nunca aparece em toda sua potencial ferocidade e grandiosidade: apenas um amontoado de tentáculos e, aqui e ali, um olhão. Cenas de ação que se resumem, no geral, a homens sendo lançados para um lado e para o outro, dentro do submarino, pelas pancadas dos tentáculos na parte externa do equipamento. E, acrescente, do ponto de vista cênico, atuações bizonhas e homogêneas de todo o elenco, que nunca varia na emoção. Com destaque negativo para o mocinho, que não muda, em momento nenhum, de expressão em cena.

“Kraken – Terror no Mar” poderia ser um grande filme de suspense, de terror, de medo, de tensão. Mas, apesar de todo arsenal formal dos blockbusters que Lebedev utiliza, lamentavelmente não resulta em grande coisa. De resto, assisti-lo torna-se uma experiência cansativa, enfadonha, difícil de atravessar. Não funciona.
Nota 5/10
