Jane Schoenbrun está de volta. A diretora por trás de “Eu Vi o Brilho da TV” retorna com seu novo filme, “Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte”, terror esteticamente impecável com metáforas interessantes.
Na trama, um cineasta queer é contratado para dirigir uma nova parte de uma franquia de terror. Ele fica obcecado com a possibilidade de escolher a “garota final” do filme original, e as duas mulheres caem em um frenesi de mania psicossexual.
Abertura dessa produção é incrível. Acompanhamos o auge e a queda desse universo riquíssimo, a franquia Acampamento Miasma, que, assim como Sexta-Feira 13 (1980) e Acampamento Sinistro (1983), apresenta um assassino que persegue suas vítimas; no entanto, aqui, ele utiliza um duto de ventilação preso à cabeça.
Toda a criação deste mundo nos traz umasensação de ser algo realmente crível. Fitas VHS, pôsteres e produtos licenciados, que vão de jogos a CDs musicais, nos fazem ter conexão com o universo.
Schoenbrun faz algo mais popular e de fácil entendimento (diferente de seu filme anterior, em que as metáforas sobre identidade de gênero eram quebra-cabeça à parte); aqui, a metáfora sobre orgasmos a obra consegue bem trabalhar esse subtexto.

Kris (Hannah Einbinder), protagonista da história, enxerga a franquia como veladamente transfóbica, usando a figura do assassino ser figura como pilar para sua teoria, algo debatido durante a rodagem. Enquanto isso, Billy (Gillian Anderson) rebate a crítica, afirmando que Acampamento Miasma é sobre ‘corpos e fluidos’, tratando a franquia de maneira mais simples.
Hannah Einbinder e Gillian Anderson entregam uma química instantânea. Inicialmente, Hannah traz um olhar de curiosidade e inocência, em que, aos poucos, se transforma em algo mais maduro e sexualmente intenso. Gillian tem uma tensão sexual que rouba a cena.
Na direção, Schoenbrun mostra um domínio ainda maior do que em seu longa anterior. Apresntando estética surrealista continua presente, ao mesmo tempo é mesclada ao ciclo de terror adolescente dos anos 1980. A textura granulada da película e os artefatos da imagem ajudam a criar a sensação de que estamos diante de uma produção realmente feita naquela época.
Existe uma cena aqui em que estamos na perspetiva do Little Death; já entra na lista a sequência de terror que vai marcar o cinema em 2026. Entramos em seu ponto de vista, em que ele ataca as vítimas em plano sequência de cair o queixo. As mortes aqui são caprichadas e o sangue chora com gosto.
Schoenbrun, em “Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte”, encontra esse equilíbrio ao unir seu cinema autoral ao horror popular. Com boas atuações, subtexto poderoso e mortes muito impactantes, o longa pode ser um novo clássico cult desta geração.
