O terror das bruxas
Entre os lançamentos de 2026, Hokum – O Pesadelo da Bruxa chama atenção por levantar uma questão central ao longo de toda a narrativa: o que é real e o que é apenas fruto da mente? A proposta é simples, mas abre espaço para um terror psicológico que tenta explorar a fragilidade da percepção humana. Mas será que o resultado sustenta essa ideia até o fim?
Sinopse
Um romancista de terror viaja até uma pousada isolada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais. O que deveria ser um momento de despedida se transforma em um mergulho em uma atmosfera perturbadora, já que o local tem fama de ser assombrado. Aos poucos, o protagonista começa a questionar sua própria sanidade e a natureza dos eventos ao seu redor.
Damian McCarthy e a nova fase do horror
O diretor Damian McCarthy, conhecido por integrar uma nova leva de cineastas do terror contemporâneo, retorna após o impacto de Oddity (2024) com Hokum. Aqui, ele aposta ainda mais no terror psicológico, priorizando atmosfera e tensão em vez de sustos fáceis.
O filme se apoia em influências claras de obras como A Entidade e principalmente O Iluminado, mas o diretor consegue transformar essas referências em algo próprio. Mesmo que dialogue com outras produções do gênero, Hokum mantém uma identidade visual e narrativa bem definida.

Adam Scott em destaque
Adam Scott entrega uma performance sólida como o escritor amargurado que carrega o peso emocional da história. Seu personagem foge do arquétipo tradicional de protagonista heroico: ele é introspectivo, irritado e constantemente desconfortável, o que combina perfeitamente com o clima do filme.
A atuação sustenta grande parte da tensão psicológica, especialmente nos momentos em que não está claro se o perigo é real ou fruto da mente do personagem.
Elenco de apoio e atmosfera
O elenco de apoio, com nomes como Austin Amelio, David Wilmot e Peter Coonan, funciona bem dentro da proposta do filme. Em muitos momentos, esses personagens servem tanto para expandir o mistério quanto para amplificar o desconforto psicológico do protagonista.
Mais do que personagens tradicionais, eles funcionam como peças dentro de uma narrativa que constantemente brinca com a dúvida: tudo isso está realmente acontecendo ou é apenas paranoia?
Terror psicológico e construção de tensão
Um dos maiores acertos de Hokum está na forma como o diretor constrói tensão. O filme evita respostas fáceis e mantém o espectador em estado de incerteza durante boa parte da projeção. Aos poucos, pistas são reveladas, mas sempre acompanhadas de novas perguntas.
Essa ambiguidade é o que sustenta o interesse da narrativa, mesmo quando o ritmo se torna mais lento. Ainda assim, há momentos em que o filme perde força, ficando cansativo em sua repetição de atmosferas e sugestões.
Um ponto mais fraco é a criatura apresentada no filme, que acaba sendo menos impactante do que o esperado, prejudicando parte do clímax visual da obra.
Conclusão
Hokum – O Pesadelo da Bruxa não é um filme revolucionário dentro do gênero do terror. Ele não busca reinventar a roda, mas sim trabalhar com elementos já conhecidos do público e reorganizá-los em uma experiência de suspense psicológico consistente.
Apesar de algumas quedas de ritmo e escolhas visuais questionáveis, o filme se destaca pela construção de atmosfera, pela direção segura e pela atuação de Adam Scott. No fim, entrega uma experiência sólida, ainda que não totalmente inovadora, mas eficaz dentro do que se propõe a ser: um terror psicológico que deixa o espectador desconfortável do início ao fim.

