Colleen Hoover está de volta aos cinemas com uma adaptação de seus romances. Desta vez, somos “agraciados” com seu mais popular, Verity. Pode ser a comédia involuntária do ano. Se a intenção era fazer um suspense, parabéns: não conseguiram.
Na trama, Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é contratada por Jeremy Crawford (Josh Hartnett) para escrever romances para sua esposa Verity (Anne Hathaway), autora de best-sellers, que não consegue terminar de escrever após um acidente.
Minha relação com a obra começou quando tive a oportunidade de ler o livro homônimo. Hoover pode apresentar problemas em sua escrita, mas sabe construir uma narrativa que prende o leitor. Havia suspense interessante e personagens cativantes. A adaptação transforma tudo isso em filme brega, mas bem divertido.
Dakota Johnson entrega uma atuação deliciosamente cômica. Tudo é blazer, isso estou acostumado com a forma que interpreta os seus papéis, mas sua Lowen é o suprassumo da personagem sonsa. No livro, ela também tem essas características; isso até tem charme para ela. As reações dela a cada situação, seja mais ousada ou dramática, ela solta um sorriso de canto de olho, me dava boas gargalhadas.

Verity, Anne Hathaway, é a melhor atuação do filme de longe, ou pelo menos a que se leva a sério. A atriz tenta dar personalidade à personagem, aos comportamentos mais perversos, que são colocados de forma tanto irônica quanto extremamente sexy. Hathaway constrói uma versão mais consistente de Verity do que aquela apresentada no livro.
A direção de Michael Showalter, que já havia trabalhado com Hathaway em “Um Ideal de Você”, não consegue achar o tom preciso. O comando das cenas parece mais de filme para TV; a sensação presente no livro de claustrofobia da casa Verity, tomada por um vazio estético, tudo muito bonito, mas sem substância. A maneira como eles então encaixam essa “seriedade” e suspense distanciada por causa desses elementos cômicos. A produção tenta vender um suspense sexual, mas não encontra o que sustentar esses momentos.
O maior problema deste filme começa com o roteiro de Nick Antosca (Cabo do Medo). Os diálogos são, em grande parte, tirados da obra base para dar desconto. No parte da adaptação a limpeza comparado ao suspense livro, seja nas cenas memoráveis do livro com acidente, ataque ao determinado personagem, a famosa cena da escada e resumidas cenas rápidas, ou esse humor involuntário.
Verity é cafona, isso é sua essência. Se seguisse a linha de não se levar tão a sério, poderia ser melhor com produção cinematográfica, não te prende com a obra homônima. As atuações até boas, a narrativa falha em causar sentimentos desconcertantes, o filme patina ao tentar achar uma personalidade.
