Em “Oeste Outra Vez“, Erico Rassi repensa o faroeste. O personagem masculino, comumente adorado e considerado um emblema de bravura, não encontra lugar no filme. Eles frequentemente parecem ridículos. A identificação é imediata quando notamos que muitos desses homens retratados na história se assemelham aos que conhecemos, seja pela falta de coragem para expressar seus sentimentos, ou pelo guerra que se estabelece pelo anseio de objetificar a mulher, acreditando que elas preencham seus lares e cuidem deles. Em primeiro lugar, são homens brasileiros. A única mulher em cena tem um curto período de tela, e rapidamente vira as costas para esses homens que só pensam em si mesmos, mas adoram falar sobre elas.
No sertão de Goiás, homens rudes e incapazes de lidar com suas próprias fragilidades são constantemente abandonados pelas mulheres que amam. Tristes e amargurados, eles se voltam violentamente uns contra os outros.
Em nenhuma momento vitimiza esses homens cuja única companhia são os copos nos bares, apenas destaca toda a tolice que os rodeia e com elas gera situações hilárias. Todo o cenário brega e a trilha sonora contribuem para criar essa representação depressiva e particular da sofrência. Os personagens se encontram sozinhos, e a decupagem de Erico Rassi frisa isto. Há uma apreciação pelo silêncio verbal que diz muito. A história é imprevisível, resignificando o faroeste e apresentando um estudo brilhante da masculinidade em nosso país. Rodger Rogério e Ângelo Antônio saíram da Coitadolândia.
Nota: 9/10
