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Crítica: O Retorno (2024)

Uberto Pasolini nos mostra uma visão diferente de Odisseu Esqueça deuses, ciclopes, sereias e toda a fantasmagoria mítica, o que Pasolini nos entrega é um drama realista sobre trauma de guerra. A trama se concentra no final da Odisseia: após...

Sumário

Uberto Pasolini nos mostra uma visão diferente de Odisseu

Esqueça deuses, ciclopes, sereias e toda a fantasmagoria mítica, o que Pasolini nos entrega é um drama realista sobre trauma de guerra.

A trama se concentra no final da Odisseia: após vinte anos longe de seu trono, Odisseu chega nu e irreconhecível às praias de Ítaca. Sua esposa, Penélope, é prisioneira no próprio palácio, cercada por pretendentes que se interessam apenas pelo trono. Enquanto seu filho Telêmaco não possui poder algum.

Ralph Fiennes entrega um Odisseu cansado, musculoso e quase mudo. Ou seja, seu corpo é responsavel por revelar que seu exílio e as várias lutas travadas durante sua vida pesam profundamente no psicológico do personagem. Porém, Juliette Binoche rouba a tela, apesar do pouco texto, constrói uma Penélope regal, estratégica e emocionalmente esgotada, suas expressões falando mais do que muitos monólogos. Por fim, Charlie Plummer completa o triângulo com a raiva justa de um filho que cresceu órfão de seu pai ausente.

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O filme aposta em um visual duro, pedras, mar e close-up nos persongens. Isso passa a todo momento a sensação de desgaste, refletindo o estado de espírito de Odisseu. O ritmo é lento, e demora para engatar, mas quando explode o contraste com as duas horas anteriores é forte, e revela que a caminhada até ali foi seca demais para quem esperava a grandiosidade de Homero.

Não é um épico, é um drama de família disfuncional ambientado na Grécia antiga, com grandes atores carregando o peso de um mito despido. Para quem busca monstros e aventura marítima, a decepção é garantida. Para quem topa um retorno mais amargo, humano e lento, o filme entrega exatamente o que promete: um rei que retorna e descobre que voltar pode doer mais do que partir.

NOTA: 7/10

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Rafael Oliveira
Sobre o autor Rafael Oliveira

Sou mineiro e apaixonado por cultura geek. Os jogos de RPG são minha grande paixão, e é nas mesas de RPG que eu mais gosto de reunir os amigos. Adoro os clássicos e escrevo sobre tudo um pouco: filmes e séries, jogos e livros, de olho nos lançamentos e também nas obras antigas que continuam relevantes hoje.

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