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Crítica: Homem ao Mar (2026)

Longa está na 50.ª Mostra Internacional de São Paulo, com 4 sessões comerciais. Ainda não tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros...

Sumário

O novo filme de Gael García Bernal, “Homem ao Mar”, integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Com um melodrama de estrutura novelística, o longa tem personalidade, mas se perde ao tentar desenvolver histórias e temas demais.

Na trama, Camilo, um salva-vidas cubano, tem sua vida transformada após salvar um empresário mexicano e ser levado para uma existência de privilégios. O que inicialmente parece uma oportunidade de ascensão social se revela um jogo de manipulação que ameaça sua liberdade.

O diretor e também protagonista do filme, Gael García Bernal, tinha uma tarefa difícil: encontrar coesão narrativa com o excesso de história que seu novo filme, “Homem ao Mar”, quer contar. Ele quer fazer sobre luta de classes, um relacionamento em ruínas, política, metalinguagem; já dentro do filme estão fazendo outro e escolhendo ser o que outros querem que ele seja?

Durante a exibição do filme, ficava cada vez mais: qual objeto tenta histórias acontecendo em curto espaço de tempo? A partir deste momento, fiz a conexão. Gael García queria fazer uma homenagem: Amor, se nós latino-americanos temos novelas, as referências estão na narrativa, atuações e estrutura, com uma montagem que conta essa história.

O filme tem uma narrativa interessante: um homem que entra no sistema se vê em uma crescente social, tendo tudo sonhado, mas se perde ao tentar se moldar aos caprichos dele, mas se perde ao colocar subtramas em vez de conectar com, atrapalhando em entender a história que de fato quer contar.

As atuações são boas, gosto de Gael García Bernal. Parece algo perdido aos luxos que a vida te deu; em vez de curtir uma piscina e sol, ele fica no quarto da bagunça, assistindo a novelas, trabalhando em alguma coisa. Esses momentos de respiro, junto ao olhar, transmitem muito mais do que o longa quer falar.

Gosto de como ele se encaixa na sequência da novela fictícia “A Liberdade” dentro do filme sobre a figura política brasileira. Esses paralelos com essa pessoa, de certa forma, se parecem com o protagonista de querer se libertar deste sistema no qual nos prende do bom contexto narrativo.

O núcleo feminino, encabeçado por Esmeralda Pimentel, que interpreta a esposa de Camilo, foi o que chamou a atenção. Essa personagem é perdida, não sabe bem como quer fazer da vida privilegiada e mimada. Ela traz esse tom, com tudo tem de ser do jeito dela.

Débora Nascimento, atriz brasileira, traz uma presença excêntrica à personagem, mas essa escolha nem sempre combina com o tom do filme. Ainda assim, a atriz consegue trazer uma energia e comprometimento ao que foi oferecido pelo roteiro, embora a construção da personagem nem sempre favoreça sua atuação.

Homem ao Mar tenta traduzir o espírito das telenovelas latino-americanas para o cinema, mas nem sempre encontra equilíbrio entre o melodrama e as diversas narrativas que o filme conta. Gael García Bernal tem dificuldades em achar o ponto principal da sua história, mas é interessante a história de um homem que conquista a vida que imaginava desejar e descobre que ela não corresponde a quem realmente é.

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NOTA: 5/10

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Matheus Silva
Sobre o autor Matheus Silva

Estudante de jornalismo, fã da cultura pop. Adora ir ao cinema e vivenciar a experiência, seja com um bom filme ou ruim (sendo ruim, será detonado com classe ou não). Adora ouvir música e ler livros.

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