Digger foi um projeto que, quando foi anunciado, teve meu interesse de cara. Tom Cruise, recém-saindo do estrondoso sucesso de Top Gun: Maverick, e Alejandro G. Iñárritu (Amores Brutos, O Regresso) reunidos em um projeto. O resultado disso deixa muito a desejar, mas não pela atuação de Cruise, mas sim pela execução da narrativa.
Na trama, O homem mais poderoso do mundo provoca um desastre e embarca em uma missão para demonstrar que é o Salvador da Humanidade.
Desde Amores Brutos (2000), Iñárritu construiu uma filmografia que conseguiu chamar a atenção de Hollywood, além de ganhar dois Oscars consecutivos de direção com Birdman e O Regresso. Depois disso, chegamos a Bardo, que já foi muito bem recebido, e seus anteriores e Digger vão na mesma linha. Esse filme entrega algo que vai dividir opiniões.
O roteiro é assinado por quatro pessoas: o próprio Iñárritu, Sabina Berman, Alexander Dinelaris e Nicolás Giacobone. A multiplicidade de roteiristas dá a sensação de perda de controle na história. Digger é tudo, e é pouco. Esse caos não é muito bem passado na tela. A mistura poderia funcionar como sátira, mas a forma como esses elementos são combinados cria mais distanciamento do que envolvimento.
Iñárritu e o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki usam o Vistavision, um formato de filmagem em película, de maneira incrivelmente imersiva. A câmera usada captura a graciosidade das cenas dignas de obras de arte e a intimidade deste personagem de perto.
Tudo é belo e extremamente artificial neste filme; a teatralidade nos cenários é charme à parte. O design de produção capta a estética sombria e transforma algo palpável.

Tom Cruise é a estrela do filme quando aparece, entrega algo que vimos um pouco em Trovão Tropical (2006). Cruise constrói um personagem imprevisível, cuja próxima decisão nunca parece totalmente clara, mas ele entrega algo dramático e íntimo em alguns momentos, mas que se perde por causa do roteiro, que em alguns momentos não sabe trabalhar bem o potencial.
Riz Ahmed interpreta um funcionário de Digger, inicialmente mais contido, mas que aos poucos se transforma em uma das figuras mais engraçadas da trama. John Goodman é um presidente dos EUA bem caricato e suas reações são impagáveis.
Sandra Hüller é outro destaque, interpretando a irmã e sócia de Digger com uma energia explosiva. Michael Stuhlbarg, que não reconheci de primeira, aparece como um vice-presidente e genérico. Já Jesse Plemons tem participação menor, mas tem presença muito boa no final.
Iñárritu entrega obra com problemas. A mistura de gêneros entrega narrativa fraca, que ganha momentos de sobrevida, mas perde novamente. Digger é uma obra visualmente ambiciosa e sustentada por atuações fortes. Não é o filme que eu esperava, mas é um longa que vai provocar boas discussões.
