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Crítica: Cara de Barro (2026)

Longa aos cinemas em 22 de Outubro...

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Cara de Barro era um dos projetos que mais despertavam minha curiosidade em 2026. Terceiro lançamento cinematográfico do DCU, é uma obra que tem atmosfera assustadoramente agoniante, mas que falha em criar boas conexões com os personagens.

Na trama, estrela de Hollywood em ascensão, Matt Hagen se transforma em uma criatura monstruosa sedenta por vingança quando a ambição científica o despoja de sua identidade e humanidade.

Cara de Barro parte de uma escolha pouco convencional: fazer um filme de terror sobre vilão menos conhecido do universo do Batman, mas o envolvimento no argumento e roteiro de Mike Flanagan trouxeram credibilidade ao projeto. Que surpreende com filme de terror sobre adversário do Batman, tem personalidade ao encontrar esse drama do protagonista com horror corporal grotesco em alguns momentos.

O ponto principal deste filme é a figura de Matt Hagen (Tom Rhys Harries). O roteiro de Flanagan e Hossein Amini encontra seu principal drama na tragédia que assombra Matt: a perda do rosto e, com ela, da identidade que sustentava sua vida profissional e pessoal, após se envolver com a esposa do chefe da máfia de Gotham. O desespero por parte dele de achar uma solução, quando ela vem, as consequências são terríveis.

Tom Rhys Harries em Cara de Barro/Foto: Warner Bros.
Tom Rhys Harries em Cara de Barro/Foto: Warner Bros.

A direção de James Watkins (Não Fale o Mal) tem a difícil tarefa de conseguir transformar esse filme em algo verdadeiramente interessante. Ele sustenta o suspense ao mostrar a transformação de Matt de maneira gradual, fazendo com que o horror físico acompanhe sua crescente obsessão por vingança, e isso de alguma forma faz simpatizar com ele; essa jornada é filmada de maneira crua e realista.

O fantástico deste filme é a criação de Gotham. É a primeira vez nesse novo universo e cidade larga em casos de descuido público; cada deco onde Cara de Barro passa, até zonas nobres da cidade com teatros são visualmente sujas e cidade viva, bela, mas que está apodrecendo com o tempo a mente dele.

O romance entre Matt e a cientista Caitlyn Corr (Naomi Ackie), porém, não alcança a mesma força. O filme quer fazer torcer por esse casal proibido, já que ela é casada, mas falha ao tentar dar credibilidade ao afeto. Tudo é rápido nessa parte: Matt Hagen está apaixonado, obcecado ou grato por tudo que ela fez? Isso fica pairando no ar sem resposta concreta, já que o filme não quer deixar respostas vagas.

Cara de Barro é uma experiência boa, mas que poderia ser melhor. A atuação de Tom Rhys Harries sustenta o drama e o horror corporal, enquanto a atmosfera dessa nova Gotham reforça a sensação de deterioração que acompanha o protagonista. O romance, entretanto, precisava de maior desenvolvimento. Ainda assim, o filme apresenta uma abordagem promissora para James Gunn, seu DCU, em criar histórias individuais sobre personagens com grande apelo ou não.

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NOTA: 7/10

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Matheus Silva
Sobre o autor Matheus Silva

Estudante de jornalismo, fã da cultura pop. Adora ir ao cinema e vivenciar a experiência, seja com um bom filme ou ruim (sendo ruim, será detonado com classe ou não). Adora ouvir música e ler livros.

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