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Crítica: Never After Dark (2026)

Com uma boa protagonista e um cenário que convida a olhar duas vezes para cada corredor, o terror de Dave Boyle ainda encontra espaço para o drama entre irmãs. Sinopse Airi (Moeka Hoshi) é uma médium itinerante que guia almas...

Sumário

Com uma boa protagonista e um cenário que convida a olhar duas vezes para cada corredor, o terror de Dave Boyle ainda encontra espaço para o drama entre irmãs.

Sinopse

Airi (Moeka Hoshi) é uma médium itinerante que guia almas para o outro lado. Ela tem a companhia do fantasma da irmã, Miku (Kurumi Inagaki), que morreu quando as duas eram crianças e aparece nos espelhos. Teiko (Tae Kimura), dona de um antigo hotel isolado no campo, contrata Airi para exorcizar um espírito deformado e muito agressivo (Mutsuo Yoshioka). O filho dela, Gunji (Kento Kaku), desconfia de tudo. Investigando o passado da casa, Airi descobre que o maior perigo vem dos vivos. A regra dela, nunca trabalhar depois que escurece, dá nome ao filme.

O melhor está nas personagens

Moeka Hoshi tem uma boa personagem nas mãos e entrega uma atuação fantástica. Airi responde de forma atravessada, gosta de resolver tudo sozinha e nunca facilita a vida de quem tenta se aproximar. Isso contrasta diretamente com seu lado vulnerável, mostrando ter mais receio dos vivos do que dos mortos e evidenciando a dependência que tem de sua falecida irmã, Miku.

A relação das duas é o que mais aproxima a história do público; implicam-se, discordam e apontam o ponto fraco uma da outra com a facilidade de quem convive há muito tempo. O carinho aparece nessas conversas sútis, inclusive quando uma delas perde a paciência.

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Essa convivência permite ao filme trabalhar a solidão de Airi sem depender de explicações sobre tudo o que ela sente. O fato de Miku ainda estar presente com sua irmã, mesmo após ter falecido, enfatiza a forte ligação que possuíam e a dependência emocional que ambas possuem.

Um hotel que prende o olhar

A fotografia de Patrick Ouziel aproveita bem a propriedade. Escadas, portas entreabertas e corredores compridos dão profundidade aos ambientes e deixam espaço para procurar alguma coisa escondida nas sombras.

O contraste entre os interiores mais quentes e os tons azulados também ajuda a dar identidade ao filme. A casa tem uma aparência acolhedora em certos momentos, o que torna seus cantos escuros mais incômodos, e a decoração e disposição dos cômodos oferecem bastante material para essa sensação de familiaridade que nunca chega a ser confortável.

Os instrumentos usados pela médium também merecem atenção. O espelho giratório, a vela e os objetos que ela carrega dão ao seu trabalho uma aparência artesanal. O filme aproveita isso para apresentar suas regras e fazer do ritual uma parte natural de seu universo, sem precisar explicar cada detalhe.

Os tropeços não apagam os acertos

O roteiro perde um pouco dessa confiança quando passa a explicar ideias que já estavam claras. Alguns diálogos reforçam demais o que as atitudes dos personagens e a própria investigação permitem compreender, dando a sensação de repetição. São momentos em que o filme poderia deixar mais espaço para a interpretação do público.

Infelizmente, os coadjuvantes recebem menos atenção do que mereciam. Teiko, especialmente, desperta um interesse no trabalho de Airi que não se desenvolve por completo. Certas situações de perigo precisam de proteção narrativa para manter os personagens no lugar que a história precisa que estejam.

Ainda assim, Never After Dark tem personalidade e não se assemelha a um J-Horror tradicional. Airi sustenta o interesse, a relação entre as irmãs dá peso ao drama e o hotel oferece imagens que ajudam a contar a história. Há explicações demais e personagens mal aproveitados, mas Boyle aproveita bem os elementos que escolheu. Vale a visita para qualquer fã do terror.

Nota 8/10

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Rafael Oliveira
Sobre o autor Rafael Oliveira

Sou mineiro e apaixonado por cultura geek. Os jogos de RPG são minha grande paixão, e é nas mesas de RPG que eu mais gosto de reunir os amigos. Adoro os clássicos e escrevo sobre tudo um pouco: filmes e séries, jogos e livros, de olho nos lançamentos e também nas obras antigas que continuam relevantes hoje.

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