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Crítica: Tigre de Papel (2026)

O longa esteve presente no Festival de Cannes, faz sua estreia brasileira na 50.ª Mostra de São Paulo e chega aos cinemas brasileiros em 7 de janeiro...

Sumário

Tigre de Papel, novo filme do diretor norte-americano James Gray, está presente na 50° Mostra de SP. No longa, Gray faz uma direção  surpreendente, mas não tem o mesmo ânimo no desenvolvimento de personagens.

Na trama, dois irmãos perseguem o sonho americano, mas são envolvidos em uma perigosa conspiração da máfia russa que aterroriza sua família, testando seu vínculo à medida que a traição se torna possível.

Qual é o limite ético para conquistar um sonho? Foi essa pergunta que me acompanhou após assistir a “Tigre de Papel”. Vivemos em uma sociedade que frequentemente mede o sucesso pela riqueza e pelo status, mesmo que isso interfira no ético das situações. No filme, esse tema não é tão bem trabalhado quanto poderia; mesmo assim, isso paira no ar.

Gary (Adam Driver) aparece com uma oportunidade de negócio que promete dinheiro fácil ao irmão, Irwin (Miles Teller). O acordo com a máfia russa envolve ríspidos em canais de água no bairro Queens. Isso precede o terror que a família vai passar.  A fotografia impressiona pelo controle das sombras, que transforma as figuras em presenças quase fantasmagóricas. Gray utiliza a escuridão para aumentar a tensão e reforçar a sensação de perigo iminente.

A sequência de conflito com russos que a fotografia desta cena é muito impressionante, o controle de sombras; onde essas figuras são transformadas em fantasmas atacando os envolvidos. Grey faz a cena se encaminhar ao horror, sensação de como essas pessoas podem e como vão sair daquela situação.

A paranoia crescente conduz os personagens a brigas, ameaças e revelações que mantêm a narrativa em movimento. O problema está no desenvolvimento das personalidades. O roteiro traz bons conflitos, eficazes para impulsionar a história, mas os personagens raramente ultrapassam essas características apresentadas.

Tigre de Papel/Foto: Diamond Films
Tigre de Papel/Foto: Diamond Films

A estética do longa é imersiva desde a primeira cena, traz esse cinema dos anos 1980. A ambientação suburbana, as docas, os objetos e os figurinos ajudam a reconstruir esse universo com uma aparência palpável e convincente.

As atuações são um ponto forte. Adam Drive engole com sua interpretação de ex-policial e sente no olhar. Esse homem carismático tinha boas intenções, mas se perdeu no pavor de defender a família do irmão. A angústia presente no olhar nos faz analisar que, com a mesma boa lábia, ele não tem tudo em suas mãos.

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Hester (Scarlett Johansson) é prejudicada por um roteiro que a mantém presa à função de esposa, oferecendo poucas oportunidades para o desenvolvimento dela na trama, a poucos momentos em que entrega seu verdadeiro potencial.

Miles Teller tem a atuação mais fraca do núcleo principal. Comparando aos outros, ele entrega de forma muito simples o que seu personagem é: um cara desesperado.

Tigre de Papel retrata a história desses dois irmãos, cuja busca pelo sonho americano é destruída pelo envolvimento com a máfia russa. Mesmo com limitações no desenvolvimento dos personagens, James Gray entrega uma direção marcante, apoiada por uma fotografia bela e sombria e um design de produção convincente.

NOTA: 7/10

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Matheus Silva
Sobre o autor Matheus Silva

Estudante de jornalismo, fã da cultura pop. Adora ir ao cinema e vivenciar a experiência, seja com um bom filme ou ruim (sendo ruim, será detonado com classe ou não). Adora ouvir música e ler livros.

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