A Rede Social (2010) foi uma obra que marcou o cinema contemporâneo sobre a criação do Facebook e, dezesseis anos depois, ganhou o seu “complemento”, O Outro Lado Das Redes, desta vez escrito e dirigido por Aaron Sorkin, roteirista do longa original. Uma obra que se perde ao tentar conquistar o espectador, com uma narrativa pouco envolvente e distante da força do filme original.
Na trama, segue Frances Haugen, uma jovem engenheira do Facebook, que contou com a ajuda de Jeff Horwitz, repórter do Wall Street Journal, para revelar os segredos mais guardados da rede social.
Sorkin foi o roteirista de A Rede Social (2010), parceria com David Fincher que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Agora, além de escrever, ele assume a direção da “continuação”, e essa mudança pesa bastante na execução; o longa patina para encontrar o ritmo agradável sobre as revelações do The Facebook Files.
Dramas jornalísticos sempre despertam minha atenção. Descobrir os bastidores de grandes reportagens traz impacto muito marcante. Só que Sorkin traz seu roteiro e direção, algo extremamente sem emoção. A momentos, poderiam trazer repulsa ou raiva; o que é transmitido é sensação de vazio. Os diálogos ásperos e denunciantes são perdidos por comando de filme que parece telefilme do início dos anos 2000.
A fotografia emula algo mais parecido com uma série dramática do que com um longa-metragem. Tinha momentos em que pensava estar vendo EP, tudo extremamente chapado, enquadramentos close-up que eram para trazer sensação de claustrofobia e angústia sobre os acontecimentos do filme, mas parecem mal fotografados.

Um dos pontos que sustentam esse filme de não ser tão desagradável é a atuação da ganhadora do Oscar, Mikey Madison, que traz com naturalidade os trejeitos tímidos e até inocentes de Frances Haugen, a denunciante do Facebook. A sensação de justiça que ela tenta trazer em alguns momentos funciona, mas a montagem prejudica isso ao ir e voltar no tempo.
Jeremy Strong não tenta reproduzir a versão de Zuckerberg criada por Jesse Eisenberg; sua interpretação segue outro caminho, mais frio e calculado. Até momentos torcemos por ele. Strong nos fez ter apatia grande, isso é muito bem feito. O olhar vazio e robótico parece que a qualquer momento pode explodir, mas não consegue, a esse dinamismo durante sua curta participação.
Jeremy Allen White traz energia caótica como o jornalista Jeff Horwitz; sua participação traz profundamente o lado investigativo, sendo mais pé no chão.
O Outro Lado das Redes está longe de ser, um candidato forte para temporadas de premiações com a sua obra original. A perda do elemento David Fincher é sentida. Se o longa tivesse a mesma força que o anterior, mesmo com atuações boas de Madison, Strong e Jeremy Allen White, essa produção causa decepção ao transformar esse caso de tanta recuperação em algo sem graça e sem força para público amplo.
