Candidato do Brasil ao Oscar 2027, “Feito Pipa” do diretor Allan Deberton, aborda a sensibilidade da infância, o amor, a busca por esse sentimento e a memória familiar.
Protagonizado por Yuri Gomes, o longa acompanha uma história sobre amadurecimento, afeto e pela liberdade de um menino queer, apaixonado por futebol e pela avó, Dilma (Teca Pereira), que está lentamente perdendo a memória por conta do Alzheimer.
Inicialmente, o filme apresenta a riqueza nos detalhes de um ambiente familiar acolhedor e colorido. A partir disso, surge o primeiro grande contraste quando Gugu (Yuri Gomes) entra em cena dançando, usando maquiagem, brilhos e acessórios, enquanto veste chuteiras e meiões.
Além disso, a avó e o neto constroem uma relação marcada pela preocupação mútua, que se torna evidente, a partir do momento que ambos se declaram o porto seguro um do outro.
Em um momento específico, quando está vivendo um pouco mais próximo do pai homofóbico, Batista (Lázaro Ramos), a criança recebe um olhar de reprovação dele por conta de uma dança que faz com as amigas no chá de bebê da família, que conta com a presença de basicamente toda a cidade – uma representação da cidade pequena em que vivem e do receio, sem sentido, que permeia pelo imaginário desse homem.
As cores presentes no longa carregam um forte significado, pois trazem uma mistura de sentimentos que evidenciam a visão inocente da infância que, apesar das questões pessoais, enxerga o mundo de uma maneira singular e curiosa.
Portanto, a frase de Gugu no início do filme “Tô indo salvar o mundo” é uma forma sensível de representar que o que pode realmente mudar tudo é a inocência da criança e a liberdade de ser quem é.
Segue nota: 🌶️10/10
