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Crítica retrô: Capitão-América: Primeiro Vingador

Primeiro filme da linha cronológica do Universo Cinematográfico Marvel ajuda a massificar o padrão narrativo.  Quando me propus a reiniciar o Universo Cinematográfico Marvel – considerando as histórias de multiverso – me empolguei ao saber que iria rever Capitão-América: Primeiro...

Sumário

Primeiro filme da linha cronológica do Universo Cinematográfico Marvel ajuda a massificar o padrão narrativo. 

Quando me propus a reiniciar o Universo Cinematográfico Marvel – considerando as histórias de multiverso – me empolguei ao saber que iria rever Capitão-América: Primeiro Vingador. Entre todas as suas qualidades posso destacar o que mais me agrada: o conceito de heroísmo. A ideia de heroísmo tem se dissipado cada vez mais no UCM, sendo resgatado vez ou outra principalmente no que tange ao Homem-Aranha. De resto, as histórias simplesmente tendem a mostrar pessoas com poderes usando-os para resolver problemas internos que podem, por acaso, afetar mais pessoas.  

A origem do Capitão é bastante fiel aos quadrinhos. A ideia de colocar o rosto do herói no corpo de um homem franzino foi uma ideia bastante ousada para os efeitos da época e virou um marco da produção. Pode ter ficado um pouco estranho dependendo do ângulo em que se olha, mas uma decisão muito acertada.

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Desde cedo testemunhamos – o que fica até mesmo evidenciado nos diálogos – que o aspecto físico seria mérito do Soro do Super Soldado. Mas o cientista que o criou buscava características morais que garantiriam que os poderes seriam bem utilizados. 

O roteiro não tenta inovar a roda e se incorpora ao próprio estilo clássico de uma história de época. As cenas do herói intercalam com as aparições do vilão e a evolução do seu plano. Mas os personagens são tão adequadamente carismáticos e funcionais que não se sente uma vibe clichê em nenhum momento. 

O Steve Rogers de Chris Evans mostra seus atributos através de oportunidades em que elas são necessárias, independentemente das desvantagens físicas que ele tem. Quando elas são superadas, vemos que o Capitão América sempre esteve ali, esperando apenas uma oportunidade para aparecer. Chris consegue ser profissional sem ser arrogante mas não perde certos momentos de ingenuidade quando se trata de assuntos mais pessoais.

A Agente Carter de Hayley Atwell é um contraposto adequado a Steve, sendo osso duro de roer, mas sem perder a feminilidade. O Bucky Barnes de Sebastian Stan difere dos quadrinhos por não ser um jovem-aprendiz de Steve, mas um homem tão bom quanto ele, mas sem as mesmas limitações físicas. A amizade dos dois é palpável e o próprio Bucky poderia ser um excelente Capitão América, se tivesse oportunidade. Já no que diz respeito ao Coronel Chester de Tommy Lee Jones, ele é o clássico velho carrancudo que ele costuma ser em seus papéis. O papel caiu para ele como uma luva. Falando em atuações lugares-comum, podemos dizer o mesmo sobre o caveira vermelha de Hugo Weaving, que se assemelha e muito com o Agente Smith que ele deu vida em Matrix. 

Tecnicamente o filme sofre de uma clara limitação visual. O uso de telas verdes é discernível, mas isso fica suavizado pela utilização de tons pastéis e uma fotografia mais escura e mais típica da época em que se passa a história. As cenas de ação tem uma coreografia simples e direta, com valorização do impacto dos golpes e explosões de guerra, que tanto combinam com a lore que envolve as histórias iniciais do Capitão América.

Capitão-América: Primeiro Vingador não é o primeiro filme do MCU em produção, mas sim em linha cronológica e, assistindo-o como o início de tudo, pode-se ver nostalgicamente como muitas histórias do Universo Cinematográfico Marvel perderam algo essencial ao gênero: o motivo heroico do heroi. 

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Roberto Junior
Sobre o autor Roberto Junior

Escritor, youtuber, crítico de cinema e sei de cor todas as falas da trilogia do Homem-Aranha do Tobey Maguire.

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