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Crítica: Miley – Álbum Bass Persuades (2026)

Miley Cyrus

Quando a ambição passa por cima da falta de uma ideia Recentemente, a cantora Miley Cyrus, agora assinando apenas como Miley, estreou nas principais plataformas com seu novo álbum Bass Persuades, que acabou provando que, às vezes, até os melhores...

Sumário

Quando a ambição passa por cima da falta de uma ideia

Recentemente, a cantora Miley Cyrus, agora assinando apenas como Miley, estreou nas principais plataformas com seu novo álbum Bass Persuades, que acabou provando que, às vezes, até os melhores artistas precisam de tempo para encontrar o caminho certo.

Deixando claro aqui: eu sou uma grande apreciadora da cantora Miley e de seus trabalhos. Sou fã desde a época de Hannah Montana e acompanho sua trajetória há anos. Por isso, esse álbum acabou sendo uma experiência extremamente decepcionante para mim.

Depois de um álbum particularmente adorável como Something Beautiful, no qual gostei bastante da proposta e da forma como a cantora construiu seu universo, menos de um ano depois chegamos a Bass Persuades, um projeto que parece uma grande bagunça digna de uma banda de rock tentando encontrar sua identidade.

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A falta de uma identidade

Something Beautiful tinha uma ideia clara, uma questão narrativa, um projeto e uma intenção artística. Existia um cuidado em cada escolha, algo que acaba faltando aqui.

Enquanto o álbum anterior transmitia carinho e parecia uma extensão da própria artista, Bass Persuades muitas vezes parece apenas uma grande explosão de sentimentos e conceitos que não conseguem se conectar. O álbum passa a sensação de ser uma sequência de ideias jogadas juntas, sem uma construção realmente definida.

A impressão é que Miley quis experimentar diferentes caminhos ao mesmo tempo, mas acabou deixando de lado justamente aquilo que sempre fez seus melhores trabalhos funcionarem: a personalidade.

Um começo promissor que não se sustenta

A música que abre o álbum e dá nome ao projeto, “Bass Persuades”, é, particularmente, a faixa que mais gosto dentro do álbum. Ela começa trazendo uma energia mais positiva, cria uma narrativa interessante e passa a sensação de que essa ideia será desenvolvida ao longo do projeto.

Por alguns minutos, parece que estamos diante de uma nova fase da cantora, com uma proposta diferente e uma sonoridade que poderia crescer.

Porém, quando chegamos em “Different Religion”, essa construção parece desaparecer. O álbum muda de direção constantemente e começa a perder a força que tinha apresentado no início.

Um álbum sem conexão

Um dos maiores problemas de Bass Persuades é justamente a falta de consistência. Músicas como “Let’s Go Married”, “Orbit” e “Innocent Ways” parecem deslocadas dentro do próprio álbum e não conseguem criar uma ligação entre si.

Em alguns momentos, não parece que estamos ouvindo uma artista com tantos anos de carreira e experiência na indústria musical, mas sim alguém tentando colocar diversos conceitos ao mesmo tempo sem saber exatamente qual caminho seguir.

Miley aposta em uma sonoridade fragmentada, cheia de mudanças e experimentações, mas o problema é que essas escolhas nunca estabelecem uma identidade forte. O resultado é um álbum que parece perdido, causando estranhamento ao invés de curiosidade.

Uma experiência decepcionante

Miley sempre foi uma artista conhecida por se reinventar. Ao longo da carreira, ela passou por diferentes fases e conseguiu transformar mudanças em grandes momentos artísticos.

Porém, em Bass Persuades, essa transformação parece não encontrar um propósito. A ambição de criar algo diferente acaba passando por cima da necessidade de construir uma narrativa mais sólida.

O álbum parece querer dizer muitas coisas, mas acaba não conseguindo transmitir nenhuma delas de forma realmente marcante.

Vale a pena ouvir?

No fim, Bass Persuades acaba sendo o álbum mais fraco da carreira de Miley. Um projeto sem personalidade, cansativo e que parece não saber exatamente para onde quer ir.

Até mesmo a escolha de encerrar o álbum com um remix da primeira música, ao invés de criar um fechamento mais impactante, reforça essa sensação de que faltou uma conclusão para a proposta.

É uma pena, principalmente vindo de uma artista que já entregou momentos tão marcantes em sua carreira. Bass Persuades prova que até grandes nomes podem errar e que, às vezes, menos ambição e mais uma ideia bem construída poderiam fazer toda a diferença.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

Apaixonada por cultura pop, teatro e musicais. Fã de Wicked, da Supergirl e de histórias inspiradoras, encontrei nos palcos e nas telas minha maior fonte de entretenimento. Corinthiana de coração, valorizo a emoção das grandes apresentações, seja em um espetáculo musical ou em uma partida de futebol.

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