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Morte e vida Madalena (lançamento)

Filme cheio de boas intenções, mas......

Sumário

Arte ou indústria? Essa indagação acompanha o cinema há  tempos, desde que nasceu nos cafés franceses, vaudevilles norte-americanos, na arte circense e no teatro. Enquanto manifestação da cultura, de narrativas imagéticas e sonoras, experimentais ou clássicas, o cinema é arte, que se entrelaça com tantas outras: o teatro, a literatura, a música. Entretanto, pensado como engrenagem fundamentada em forte estrutura tecnológica e de capital, que precisa do lucro para se retroalimentar, o cinema é indústria.

Essa dicotimia estrutural é algo que suscita debate e angústia, ademais se pensarmos no cinema brasileiro e em todo o ecossistema que o cerca, seja elenco, pessoal da técnica, equipamentos, divulgação, distribuição, exibição, etc.

Fazer cinema requer, antes de tudo, dinheiro. É caro. Por isso, no Brasil, para fazer essa economia andar, é preciso recorrer a editais, patrocínios, rifas, solidariedade; enfim. Mas, sem recursos, não há filme.

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“Morte e Vida Madalena” (Brasil, 2025) é um filme que trata dos desafios de se fazer cinema no Brasil. Nesse sentido, é necessário e fundamental ao apontar suas lentes para essa arte/indústria tão sofrida e mal falada em nosso país.

Metalinguístico, usando a fórmula do filme dentro do filme, com fortes referências de “8½” de Fellini (Itália, 1963), a narrativa traz a Madalena do título (Noá Bonoba) às voltas com os perrengues e dificuldades de produzir e, por fim, dirigir um filme no interior do Ceará, cujo roteiro seu pai deixou como legado ao morrer.

Nossa heroína, então, no final de uma gravidez não muito planejada, tem que lidar com os egos do elenco e da equipe técnica, as disfunções de alguns com álcool, drogas e sexo, além da falta de recursos e da agonia em liberar financiamento no banco, entre tantas outras complicações.

Mas, como diz o ditado, “de boas intenções, o inferno está cheio”; apesar de partir de uma ideia tão interessante — o caos em um set de filmagens — e se vender como “a maior comédia do ano”, nada no filme funciona.

Todos, absolutamente todos, no elenco estão péssimos. Há um problema de ritmo no filme, na montagem, talvez de direção. Não existe naturalismo em cena, e se o diretor/roteirista Guto Parente buscava, tal qual Lars Von Trier em Dogville (2003), essa isenção do natural, não conseguiu grandes coisas. Aqui não há cinema. Também não há teatro.

Outro equívoco evidente e que grita em altos decibéis para ouvidos moucos é o fato de a trupe se deslocar de Fortaleza para a praia de Alagoinha, na cidade de Paraipaba, a cerca de 100 km da capital cearense, para filmar em um set de internas de um filme de ficção científica. Ora, se uma das questões que o roteiro aborda é a dificuldade financeira, por que, então, a equipe enfrenta esta logística, que repercute no orçamento inclusive, se poderia filmar em qualquer galpão ou estúdio na capital?

São tantas inconsistências e tantos momentos constrangedores em sequência, que fica difícil apontar um destaque positivo. Mas é preciso sublinhar a bela fotografia da Praia de Alagoinha. Infelizmente pouco utilizada, apenas em planos de transição.

Não faz rir, não engaja, não emociona, não desperta nada. Talvez tédio e impaciência com a longa 1h25min de duração. Uma eternidade!

Por fim, fechando o filme, mas não menos risível, a sequência final do parto é um dos momentos mais embaraçosos do cinema nacional nos últimos tempos. 

Uma pena! O “cinema de guerrilha”, da “brodagem”, do fazer artesanal, da entrega, da paixão, do amor incondicional à Sétima Arte merecia algo melhor.

Nota: 3/10

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Marcio Souza
Sobre o autor Marcio Souza

Cinéfilo, antes de tudo! Fã de quadrinhos das antigas, amante das letras, psicólogo, bacharel em cinema e áudio visual, crítico de cinema, roteirista, ator, etc. Sou tantas coisas, mas nada me cabe, ou define.

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