Em julho, o mundo da televisão ficou em polvorosa com o lançamento do primeiro trailer de Estilhaços, nova produção da 20th Television para o Disney+. Em apenas alguns minutos, o teaser apresentou o mais recente projeto de Ryan Murphy, criador por trás de títulos como Glee e American Horror Story, da FX. O trailer também revelou um elenco de destaque, uma história provocativa e uma estética marcante, tudo acompanhado por outra característica que se tornou uma das marcas registradas de um dos produtores executivos de maior sucesso dos últimos anos: uma música que chama a atenção imediatamente.
Baseada no aclamado best-seller “The Shards”, de Bret Easton Ellis (“American Psycho”), a série é um drama ficcional de amadurecimento ambientado na vibrante Los Angeles dos anos 1980. Interpretado por Igby Rigney (“Missa da Meia-Noite”), Bret é um aspirante a escritor que aproveita seus últimos anos da adolescência enquanto lida com dilemas relacionados à identidade, à obsessão e a perigos inesperados.
A chegada do misterioso e magnético Robert Mallory (Homer Gere) ao seu círculo social de elite abala profundamente o mundo do protagonista, ao mesmo tempo em que a cidade é aterrorizada por um serial killer que tem adolescentes como alvo. Uma coincidência que não passa despercebida por Bret, que embarca em uma perigosa jornada para provar suas suspeitas.

O primeiro trailer da série trouxe um remix de “Let’s Go All The Way”, sucesso que levou a dupla de new wave Sly Fox às paradas musicais nos anos 1980. Escolher uma música de sucesso para apresentar uma série não é uma estratégia nova, mas, no caso de Estilhaços, da FX, a escolha se torna uma pista valiosa sobre o que o público pode esperar da produção. Afinal, a música é uma das ferramentas utilizadas por Ryan Murphy para contar histórias, algo que já ficou evidente em seu primeiro grande sucesso global como produtor executivo.
Em 2009, Glee surpreendeu o público ao contar a história de um clube de canto de uma escola fictícia. A série chegou à televisão acompanhando as jornadas de personagens carismáticos por altos e baixos que transitavam entre a comédia afiada e o drama, abordando também questões sociais. No entanto, foi ao final de seu primeiro episódio que a produção realmente brilhou, quando seus protagonistas fizeram história ao interpretar uma versão de “Don’t Stop Believin’”, do Journey.
A partir daquele momento, a série se tornou um verdadeiro fenômeno entre a crítica, conquistando prêmios em cerimônias como o Emmy Awards e o Golden Globes e, acima de tudo, tornando-se um sucesso entre o público. Com turnês, álbuns, DVDs e até videogames, era impossível escapar de Glee, graças à maneira como a série transformava sucessos do passado e do presente em uma força narrativa capaz de conduzir uma história que conquistou toda uma geração.
Ao combinar drama e música, a produção se tornou uma verdadeira expressão de uma das crenças centrais de Ryan Murphy. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, ele afirmou: “Sempre fui obcecado por cultura pop e pelas coisas que estão fervilhando na cultura neste momento” e é justamente por isso que utiliza músicas pop em suas produções. Essa valorização da música se mostrou tão forte que o levou a encontrar outra maneira de explorar a trilha sonora de seu próximo grande sucesso, um projeto completamente diferente de Glee e American Horror Story, da FX.
Lançada em 2011, American Horror Story, da FX, é uma série antológica que redefiniu o gênero ao apresentar diferentes histórias envolvendo uma casa marcada por assassinatos, um clã de bruxas, um circo itinerante de aberrações, um hotel assombrado e até o apocalipse. No entanto, um elemento permanece constante: a importância dada à música. “Há momentos em que a música é uma personagem da série e está transmitindo uma mensagem”, afirmou Mac Quayle, compositor que se tornou um dos principais colaboradores do produtor após estrear na quarta temporada de American Horror Story, da FX, em entrevista à Variety.
Mais do que uma preferência pessoal de Murphy, essa abordagem existe porque suas produções dão às músicas importantes responsabilidades narrativas. Em entrevista à Variety, Alexis Martin Woodall, colaborador de longa data do produtor, explicou que a trilha sonora tem a função de “comunicar subtexto, contexto, emoção e entretenimento no mais alto nível”. Além disso, a equipe acredita que as músicas são importantes porque “você ouve uma música e ela te transporta para uma época e um lugar”.
Com as trilhas sonoras desempenhando um papel tão importante nas criações de Ryan Murphy, faz todo sentido que Estilhaços, da FX, conte com uma equipe musical de peso. A série terá músicas originais da sensação pop indicada ao Grammy Troye Sivan, em colaboração com o cantor e compositor indicado ao Golden Globe Leland.
Além da dupla, a série também contará com músicas originais de Hayes Warner, artista pop em ascensão que faz sua estreia como atriz no papel de Debbie Schaffer, namorada de Bret. Curiosamente, trazer artistas da música para o elenco de seus projetos é outra marca registrada do trabalho de Murphy. Isso pode ser visto desde a participação especial de Demi Lovato em Gleeaté a escalação de Ariana Grande em Scream Queens e, principalmente, no desfile de talentos como Patti LaBelle, Adam Levine, Lady Gaga, entre muitos outros, em American Horror Story, da FX.
Por isso, os espectadores não devem se surpreender quando um momento surpreendente, chocante ou provocativo de Estilhaços, da FX, fizer com que um antigo sucesso ou uma música atual fique na cabeça. Afinal, Ryan Murphy transformou trilhas sonoras marcantes em um dos ingredientes mais valiosos de sua receita de sucesso no universo das séries de televisão.
Os quatro primeiros episódios de Estilhaços, da FX, já estão disponíveis exclusivamente no Disney+, com novos episódios lançados toda quarta-feira, às 22h da noite.
